Timóteo Pinto, Multidão e o pensar por fora

Após uma instigante leitura de um breve artigo do filósofo e artista Daniel “Maceduss” Mittmann, recebido por e-mail, sobre Timóteo Pinto (a entidade hiper-surrealista de conspirações meta-discordianas do pós-neoísmo), me veio em mente várias reflexões sobre a geral falta de pieguismo recente e também sobre a impossibilidade de reimaginar uma nova forma de pensar/agir além daquela que nos é imposta como possível – criando assim as mil brechas que nos possibilitariam fugir após a quebra das correntes que nos prendem nessa realidade absurda. Deixo-vos abaixo este estranho texto que me intrigou e reafirmo a vós que, sem dúvida, “a imaginação é muito melhor”.

 

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

 

Todos podem ser Timóteo Pinto”. É justo com essa frase, um manifesto, um programa, que este cidadão se define. E é esta frase que é o problema. A troco de que saber quem é Timóteo Pinto vira um enigma interessante de ser pensando, afetado? Precisamente por não se saber de onde partir e nem aonde chegar. Este é apenas um escrito que quer experimentar estilisticamente, politicamente, relações entre PINTO, Timóteo; DELEUZE, Gilles e NEGRI, Toni.

Nome, alcunha, apelido, forma de tratamento, tudo isso sim, mas coletivo e não individual. Timóteo Pinto, que pode ser TP para os poucos íntimos, é a possibilidade de um nome coletivo. Nome, experiência, nome-experiência, uma busca pela não-autoria, ou ainda, pela autoria coletiva.

O galã em questão, Timóteo Pinto, pode ser um astro de rock, um candidato a vereador na cidade caipira de Rio Claro, interior paulista, pode ainda ser um jogador goleador do Aimoré, além disso, quiçá, um quadrinista leopoldense, artista, um parente de algum músico de Portão. Um morador do bairro Campina, um ciclista do Quilombo, um ativista do movimento das bicicletadas. Entretanto, uma coisa é certa: Timóteo Pinto grita: “erva-mate livre!”. Ele é um tomador de chimarrão, inveterado. Ele é gaúcho? É. E mais: ele é andapago. Pode, até, ser um articulista no jornal Vale dos Sinos, um radialista da rádio Feitoria. Tem capacidade de ser qualquer um e de ser todos, entretanto não é nenhum.

Complicado, estranho? Não creio. Podemos aqui recorrer ao texto explosivo do intelectual, ativista político de esquerda e ex-presidiário italiano Antonio Negri, no caso o seu livro Multidão. Este nome, justo este nome, multidão é o ponto chave para pensarmos. E que este simples, mínimo e sempre precário texto possa se portar como uma máquina de (fazer) pensar (Deleuze). Fato é, que querendo ou não (Chaves), estamos criando conceitos, de algo, no caso de alguém que é ninguém, que é todos, múltiplos. O ponto da multidão é justamente a articulação, a rede. É esta articulação, em forma de rede, de rizoma, de explosão, de precariedade, de multiplicidade, que torna a multidão algo completamente distinto da massa, a qual é amorfa, não serve politicamente, é a não-política.

Se quisermos usar, apelando para a imagem-movimento, o cinema como um ferramental alegórico às circulações propostas e propiciadas por um nome-coletivo, como Timóteo Pinto, teremos que recorrer a comédia. Engraçado. E nada melhor que um filme, pseudo-documentário, de Woody Allen, datado do ano azul de 1983. Ano do mundial do Grêmio. Um filme gremista e de alma castelhana. Zelig é o nome do personagem e o título da fita. Timóteo Pinto é justamente Zelig ao contrario, ou como diria Estamira: “trocadilo” (sic).

Timóteo Pinto é isso, um intelectual operário, que quer explodir a si mesmo, sua arma para esta empresa: emprestar o seu nome para quem bem entender usar. Ler Timóteo Pinto, os escritos e as experiências de TP, pelos óculos de Deleuze e de Negri é uma opção política do autor. Ambos, e seus leitores muito mais, falam em resistência, dessa forma a pergunta que fica é: “Todos podem ser Deleuze, Todos podem ser Negri?”.

*Daniel Mittmann
Graduado em filosofia – UNISINOS

Mestre em educação – UNESP

Gostou do conteúdo?


Curta a nossa fanpage no Facebook:  
e siga-nos no Twitter:  

O Metranca agora está aceitando conteúdo enviado pelos leitores!
Confira em: https://coletivometranca.com.br/contribua-com-o-metranca/

Veja Também

Giovanni Cabral
Sobre Giovanni Cabral 49 Artigos
Um genuíno caipira hipster das sombras que aprendeu a lidar melhor com os seus fracassos do que com qualquer vitória ilusória. Aqui e em outros escombros da internet, sou divulgador, pseudo-crítico e produtor de arte.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*