T.A. Greatest Hits: Integrity – Micha

A estreia da esporádica coluna "Trajeto Alternativo - Greatest Hits" é com o Integrity

Contracapa do EP "Humanity Is the Devil", de 1996

Essa é uma nova coluna aqui no Metranca; numa passagem de volta ao passado, revivendo os maiores (anti-)hits ainda presentes nas minhas playlists que têm a capacidade de alterar ou catapultar o meu estado de espírito ao ouvir. Os melhores sons que você não lembra se já ouviu ou faz questão de não ouvir.

O Integrity foi formado em 1988 na cidade de Cleveland (EUA) e, ao fundir o metal com o hardcore punk, foi o pioneiro de uma leva de bandas do início da década de 1990 no chamado metallic hardcore (hardcore metálico) – também conhecido como metalcore. Para chegar nessa fusão, eles jogaram um caldeirão de influências, como os japonese do G.I.S.M. (a coisa mais anti-you do hardcore), Motorhead, Slayer, breakdown e hardcore novaiorquino. Lembrando que o Integrity puxou ainda naquela época um grupo de bandas que disseminaram o hardcore “holy terror” e negativista, tal como o Earth Crisis e o Rorschach.

Nos alicerces dessa junção metalpunk, a mente estranha do seu infame líder e vocalista Dwid Hellion foi crucial. Carregando as características metaleiras (individualismo, reclusão, apreciação pelo que é oculto e perturbador) muito além do normal, Dwid era seguidor do culto apocalíptico The Process Church of The Final Judgment – linha de pensamento teológico criada por Robert DeGrimston Moore e Mary Ann MacLean, que ganhou fama entre hippies dos anos 1960 e 1970, além de ser usada como base para que o “guru” Charles Manson desenvolvesse sua “comunidade”. Este culto pregava a peculiar veneração simultânea de Jesus Cristo e Satanás e tinha a crença de que no Juízo Final ambos conjugarão esforços, cabendo a Cristo ditar a sentença e a Satanás executá-la. Bizarro, não? Mas essas referências do mentor da banda ficaram apenas nas letras e em alguns títulos de álbuns.

O grande momento do grupo foi entre 1989 e 1998, contando com os irmãos Leon e Aaron Melnick – baixo e guitarra, respectivamente -, ao conseguirem um relativo sucesso com o EP Humanity is the Devil (1996) e com os full-lenghts Systems Overload (1995) e Those Who Fear Tomorrow (1991). Este último citado é justamente o que carrega a faixa destacada neste post, logo de cara e obviamente sendo a faixa-título (e geralmente resumida pelo nome de “Micha”, o apelido de Leon, gritado por Dwid no início).

Os riffs de baixo junto ao grito de “MICHA” logo dão sequência para uma boa dose de acordes de guitarra lentos e barulhentos, que complementam-se aos ritmos quebrados na bateria de Tony Pines. No meio dessa sonoridade ruidosa, Dwid Hellion berra frases apocalípticas como:

 Sinta a ira, uma vez na sua vida,
Cortando como uma faca, sinta a ira enquanto você teme o amanhã

Ou

Não há nada
Deixo para você agora
Você acha que tem tudo
Não tem nada
Uma vez em sua vida
Tema a faca
Tema a ira

Essa poesia negativista estranhamente impulsionava (e ainda impulsiona) os seus fãs para uma catarse coletiva – como você pode comprovar nos vídeos ao vivo em baixa qualidade da época. Um hino. Uma verdadeira energia festiva e hermética, onde microfones são perdidos constantemente em meio ao público. Se você tem ou tivesse uma banda de rock/metal/punk/whatever, certamente você gostaria de sentir isto.

 

You can take a man
Free him from no garbage can
No one, no one can ever see
No one, no one can ever escape
You are going to…
You will feel the wrath
As you fear tomorrow

I’m gonna take you down
One on one, in and out
Nothing can save your misery
You don’t know shit about me
You think you do
You don’t know anything
Sink to the bottom
All hell breaking loose

Feel the wrath
One time in your life
Cutting like a knife
Feel the wrath
As you fear tomorrow

There is nothing
Left for you now
You think you have it all
Don’t have anything
One time in your life
Fear the knife
Fear the wrath
You motherfuckers

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Giovanni Cabral
Sobre Giovanni Cabral 38 Artigos
Um genuíno caipira hipster das sombras que aprendeu a lidar melhor com os seus fracassos do que com qualquer vitória ilusória. Aqui e em outros escombros da internet, sou divulgador, pseudo-crítico e produtor de arte.

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