T.A. Greatest Hits: The KLF & Extreme Noise Terror – 3am Eternal

No segundo post dessa coluna, lembramos da união do KLF e E.N.T. que virou a música pop de pernas para o ar no início dos anos 1990

The KLF & Extreme Noise Terror

Essa é uma nova coluna aqui no Metranca; numa passagem de volta ao passado, revivendo os maiores (anti-)hits ainda presentes nas minhas playlists que têm a capacidade de alterar ou catapultar o meu estado de espírito ao ouvir. Os melhores sons que você não lembra se já ouviu ou faz questão de não ouvir.

Você é capaz de imaginar um grupo de dance music disparando cartuchos vazios de metralhadora para o público em uma premiação glamourosa? Pois bem, isso aconteceu, e aquele foi um momento louco e tumultuado. O responsável foi o KLF, que tinha sido o número 1 nas paradas do Reino Unido e teve uma série de hits de música house (eles eram muito pop ), e decidiram “abandonar a indústria” de forma colossal e aniquiladora, unindo-se com o Extreme Noise Terror para aterrorizar o público com uma interpretação grindcore da sua dançante “3am Eternal“. Pode até parecer difícil assistir agora e entender o impacto disso – sim, e isso realmente aconteceu, como você pode conferir logo abaixo dessa página -, mas não se esqueça que o Brit Awards era uma das cerimônias de premiação da música mundial de maior prestígio da época (comparável ao Grammy) e foi transmitida ao vivo na TV em 1992.

É bom citar que o duo KLF, formado por Bill Drummond (produção, vocais e guitarra) e Jimmy Cauty (produção), souberam brilhantemente usurpar o sistema da indústria musical e sugar  propositalmente o que podiam de lá “por dentro”. Tanto é que lançaram um livro/guia chamado The Manual (How to Have a Number One the Easy Way), que basicamente traça os caminhos para ter um single no topo das paradas radiofônicas; um manuscrito mapeando os traçados para chegar na mina do tesouro (money), explorando as brechas do capitalismo selvagem. E eles realmente alcançaram isto, basta notar o estrondoso sucesso que The White Room (1991) – que é de fato um ótimo álbum – alcançou; tendo grandiosos singles, como a versão mais famosa do som aqui destacado, “What Time Is Love?”, “Last Train to Trancentral” ou “Justified and Ancient”. Um ano antes, o duo havia lançado, com menos prepotência, o relaxante Chill Out, álbum de música ambiente e recheado de field recordings etéreas – gosto demais também deste, e tem um clima que é excelente para ouvir antes de dormir.

Já o Extreme Noise Terror em hipótese alguma era uma banda qualquer e caiu de paraquedas por aí. O grupo foi, ao lado do Napalm Death, o pioneiro do grindcore e moldou a essência do gênero com suas letras politizadas, guitarras ríspidas e músicas curtas. O sucesso chegou aos ouvidos do dj e produtor John Peel, fazendo-os gravar uma tape nas populares The Peel Sessions e, posteriormente, essas gravações logo chamaram a atenção dos KLF.

Reza a lenda que, mesmo mantendo uma postura punk e não tentando se desvirtuar dos seus ideais musicais, os ENT, após alguns encontros com Bill Drummond, gradualmente foram seduzidos pela perspectiva de ter uma colaboração lucrativa. O álbum que eles gravaram, KLF vs ENT: The Black Room, nunca chegou a ser um lançamento porque o KLF havia deixado a indústria e o material simplesmente foi arquivado. Dean Jones (vocalista e líder da banda) comentou na época que eles estavam totalmente destruídos, pois honestamente pensavam que se tornariam milionários; isso era – finalmente – a chance de limpar sua barra e Bill Drummond acabou de arquivá-la como uma brincadeira situacionista. Eles se sentiram usados, como se fossem peões no trama do KLF.

Mas, sobre a implosiva apresentação, o plano original era lançar litros de sangue de ovelhas na audiência; porém, a ideia precisou ser abortada, por um óbvio problema: as crenças vegans dos ENT. Meses depois da performance, todo o catálogo da banda foi excluído e deixou imediatamente de estar à venda (hoje é bastante fácil encontrá-lo na Internet). Passados dois anos, Bill Drummond e Jimmy Cauty queimaram um milhão de libras (o equivalente, hoje, a mais ou menos a um milhão de euros) numa ilha escocesa, em um ato nunca explicado e que foi capturado no documentário de Alan Goodrick, Watch The K Foundation Burn a Million Quid –  que também está abaixo em anexo -, de 1995.

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Giovanni Cabral
Sobre Giovanni Cabral 42 Artigos
Um genuíno caipira hipster das sombras que aprendeu a lidar melhor com os seus fracassos do que com qualquer vitória ilusória. Aqui e em outros escombros da internet, sou divulgador, pseudo-crítico e produtor de arte.

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