A roda gira de novo para Os Depira

Banda Os Depira encerra hiato de 18 meses longe dos palcos  com show no Porão da Liga e estreia da nova formação

Por Rubens Herbst*

Dos primeiros meses deste milênio para cá, o rock joinvilense foi encabeçado por duas ótimas bandas: Reino Fungi e Os Depira, os Beatles e os Rolling Stones locais, respectivamente. Assim como seus ícones referenciais, o quinteto jovem-guardiano disse adeus (mas…), enquanto os rapazes de Pirabeiraba vivem em ciclos, ressurgindo de tempos em tempos com fôlego renovado e uma nova leva de canções para uivar pelos palcos da cidade. Bem, esse momento de fim de hiato é agora, e como não poderia deixar de ser, há novidades.

Antes de contar a principal delas, é preciso informar que a banda se apresenta no Porão da Liga nesta quinta-feira (14), às 21 horas, dentro do projeto Quinta Independente. Será o primeiro show desde abril de 2016, ou seja, um ano e meio sem dar as caras. Nesse tempo, os integrantes se dedicaram a projetos paralelos – o baixista Parffit, por exemplo, entrou na Voluttá, a outra atração desta quinta no Porão -, em especial o baterista Rafael Vieira, envolvido com diversos grupos de jazz e música regional. Tantos que, quando as atividades depirianas foram retomadas na metade deste ano, optou-se por uma separação amigável. Iniciava aí a busca por outro homem das baquetas, o quarto na história da banda. O escolhido foi André Venas, baterista de batida pesada que também presta bons serviços a Uhul, Coletivo das Flores, Hessex Alone e Sylverdale. Um fã antigo que virou integrante.

– Quando via anúncio dos shows dos caras, principalmente no saudoso Zepa, na Ponte Baixa, sempre tentava ir, pois sabia que era a oportunidade de ver um rock dos bons. Lembro que cada show era uma porrada e uma novidade, pois o improviso sempre fazia parte do espetáculo – revela

Venas, que se entrosou perfeitamente com o trio central justamente por acompanhar há tempos a trajetória da banda. Claro que algumas músicas ganharam novos arranjos e as jams instrumentais, outra pegada.

– Além de manter o alto nível técnico que o posto de baterista sempre teve, a empolgação do Venas em tocar com uma banda que ele acompanhou por muito tempo enquanto fã é contagiante – conta Parffit. – Outro detalhe é que as músicas acabaram naturalmente ganhando um peso adicional, pois sempre estimulamos que ele deixe suas marca nos arranjos.

Para a estreia da nova formação, o repertório será 100% autoral. Um resumo dos últimos 17 anos, incluindo algumas das primeiras composições da banda, uma seleção dos dois discos lançados e duas ou três músicas inéditas. Mas não pense o leitor que Os Depira miram um terceiro álbum – a ideia é gravar alguns singles avulsos, retrabalhar faixas que não ganharam o justo registro e, principalmente, fazer shows pela região e fora dela.

Diante desse retorno, e tendo diante de si um cenário autoral incerto e difícil, é de se perguntar onde Os Depira se encaixam nele? O que move a  banda a continuar? Para Parffit, um dos segredos da longevidade é justamente não criar altas expectativas.

– Se existe algum combustível que mantém a roda girando, definitivamente é ouvir o público cantando nossas composições. Mas devemos somar a isso o fato de que somos meio egoístas, hehe. Somos essencialmente uma banda de palco e o primeiro público que buscamos agradar somos nós mesmos – afirma o baixista.

– A banda nunca teve intenção de se encaixar em nenhuma categoria específica – observa o guitarrista Marcelo Rizzatti. – Na minha opinião, nos encaixamos em várias tribos e acabo ouvindo o som d’Os Depira em algumas bandas mais novas da cidade, e acho isso muito legal. Muitos músicos vêm nos dizer que somos referência para eles.

Para Venas, fazer jus ao espírito do rock’n’roll torna Os Depira ainda relevante e um dos principais nomes da música autoral da região.

– Não se trata apenas de soar rock aos ouvidos, mas sim de ter o estilo como essência de cada um dos integrantes. Acho que isso transparece muito pra quem tá na plateia acompanhando. Eu, quando ainda do lado do público, tinha sempre essa sensação nos shows: era uma viagem pra outra década, porque os caras eram rock’n’roll, essa é a verdade deles.

 

 

 

 

* Rubens Herbst é jornalista e por 24 anos trabalhou no jornal A Notícia, onde comandou a coluna cultural Orelhada por quase uma década. Também é co-apresentador do programa É Rock! na Rádio Udesc FM Joinville. Rubens agora também escreve  para o Coletivo Metranca.

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