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Culto à personalidade e ficção científica: a dualidade Optimus e Megatron

Algum tempo atrás eu fiz um artigo sobre o poder da representação icônica e da imagem idealizada como força positiva no personagem de Optimus Prime, na maneira como ele é retratado nos quadrinhos da IDW. O assunto hoje é o mesmo –  mas na maneira como essa idealização e consequente culto a personalidade pode – e muitas vezes é – uma força negativa. Essa força é uma velha conhecida de ditaduras, cultos, milícias e “megachurches”: a noção do “grande líder” como alguém “maior que a vida”, um homem entre os homens, um profeta ungido pelos deuses. São maneiras eficazes de catalisar a força das multidões ao redor do “herói”, estabelecendo alguém ao redor do qual as massas se congregarem – e a quem obedecer. Assim, ao mesmo tempo que essa devoção e essa imagem mítica pode exaltar seus seguidores, ela também pode levar a população a atos que não cometeriam normalmente, contanto […]

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Baú de Brinquedos: Machine Wars

Machine Wars: uma das demonstrações mais claras de que fãs não sabem o que querem   Muito, muito tempo atrás, eu falei de Generation 2, a primeira grande tentativa de reviver Transformers. Lançada entre 1992 e 1995, a sublinha foi marcada por inovações de engenharia, quadrinhos horríveis e animação reciclada. Como notado no texto, G2 fracassou em preservar a presença de mercado de Transformers. Com as vendas de suas linhas para meninos em queda, a Hasbro transferiu suas linhas masculinas para a subsidiária Kenner, que deu início a primeira grande reinvenção da linha: Beast Wars. Mas não é de Beast Wars que estamos falando aqui. Lançada em 1996, a nova série de Transformers mudava tudo: Autobots e Decepticons davam lugar a Maximals e Predacons. Optimus Prime dava lugar a Optimus Primal enquanto Megatron era substituído por… outro Megatron, dublado pelo genial David Kaye. Hoje tida como uma das – se não A – […]

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Fãs, discursos e radicalismos

Fandoms tem um problema grave de fanatismo e intolerância, junto com um apego doentio à versões de sua obra amada que não conferem com a realidade da mesma. Isso é uma questão antiga que parece ser tão antiga quanto a própria existência de fandoms. Os extremos dos discursos digitais sobre quadrinhos, literatura e cinema são um caso interessante. De um lado, temos uma brigada conservadora que espuma pela boca caso haja um único personagem não hetero-branco-cristão em suas revistas e insiste em reescrever a história dos personagens para confirmar suas posições (vide dizer que Steve Rogers sempre foi conservador). No extremo oposto, visto primariamente em redes sociais “alternativas” como Tumblr e Archive of our own, temos uma brigada “progressista” que espuma pela boca alegando homofobia sempre que seus headcanons sobre o herói X ser gay/bi/ace/trans não se concretizam.   Os dois lados demonstram simultaneamente um interesse patológico E uma total falta de […]

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Baú de Brinquedos: Transformers Geração 2

O ano era 1993. Após sucessivas reinvenções e inúmeras sublinhas, a antes imponente linha Transformers se via reduzida ao mercado Europeu. Nos EUA, os robôs cybertronianos perdeiam desde 1988 uma longa batalha contra a Tartaruga-mania. No Japão, a Takara os abandonava em nome de uma franquia nova, Yuusha. Em uma tentativa desesperada de salvar a franquia, a Hasbro fazia o primeiro “reboot” de Transformers: Generation 2. Foi nessa situação que a linha começou a se reinventar e se adequar aos tempos… ou ao menos que ficaram EXTREEEEEEEEEEMOSSSS. Embora retornasse às origens e se propusesse a recomeçar a história do zero, G2 era o mais claro rehash de Geração 1: Autobots e Decepticons (agora com insígnias novas) levavam sua guerra do distante planeta cybertron para o meio-oeste americano no ano 1984 1993. Na liderança dos Autobots estava o caminhão Optimus Prime (literalmente a mesma figura de 1984, só com mais armas e uma caixa […]