Baú de Brinquedos

Como marketing moldou a Marvel: Secret Wars

O ano: 1984. Maio. Sob letras garrafais, em um evento bombástico e sem precedentes na indústria de quadrinhos, a Marvel Comics juntava seus maiores heróis em uma única trama de proporções cósmicas. Com roteiro de Jim Shooter e arte de Mike Zeck e Bob Layton, a “casa das ideias” surpreendia o público americano com uma história incrível: uma entidade cósmica chamada  Beyonder havia abduzido os maiores heróis e vilões da Terra, forçando-os a lutar para o seu entretenimento em troca do maior prêmio de todos: a realização de um único desejo. Era dado início às Guerras Secretas. Afetando todo universo Marvel… Um dos primeiros “mega eventos” da indústria de quadrinhos, Guerras Secretas causou alterações em quase todos os personagens envolvidos: novos uniformes, novos poderes, novos apetrechos… Anos de histórias futuras foram pautados em elementos introduzidos em Guerras Secretas, com seu resultado mais famoso sendo o super-vilão, posterior anti-herói Venom – surgido do uniforme negro que o Homem-Aranha recebeu como parte […]

Colunas

Fãs, discursos e radicalismos

Fandoms tem um problema grave de fanatismo e intolerância, junto com um apego doentio à versões de sua obra amada que não conferem com a realidade da mesma. Isso é uma questão antiga que parece ser tão antiga quanto a própria existência de fandoms. Os extremos dos discursos digitais sobre quadrinhos, literatura e cinema são um caso interessante. De um lado, temos uma brigada conservadora que espuma pela boca caso haja um único personagem não hetero-branco-cristão em suas revistas e insiste em reescrever a história dos personagens para confirmar suas posições (vide dizer que Steve Rogers sempre foi conservador). No extremo oposto, visto primariamente em redes sociais “alternativas” como Tumblr e Archive of our own, temos uma brigada “progressista” que espuma pela boca alegando homofobia sempre que seus headcanons sobre o herói X ser gay/bi/ace/trans não se concretizam.   Os dois lados demonstram simultaneamente um interesse patológico E uma total falta de […]

Baú de Brinquedos

Baú de Brinquedos: Transformers Geração 2

O ano era 1993. Após sucessivas reinvenções e inúmeras sublinhas, a antes imponente linha Transformers se via reduzida ao mercado Europeu. Nos EUA, os robôs cybertronianos perdeiam desde 1988 uma longa batalha contra a Tartaruga-mania. No Japão, a Takara os abandonava em nome de uma franquia nova, Yuusha. Em uma tentativa desesperada de salvar a franquia, a Hasbro fazia o primeiro “reboot” de Transformers: Generation 2. Foi nessa situação que a linha começou a se reinventar e se adequar aos tempos… ou ao menos que ficaram EXTREEEEEEEEEEMOSSSS. Embora retornasse às origens e se propusesse a recomeçar a história do zero, G2 era o mais claro rehash de Geração 1: Autobots e Decepticons (agora com insígnias novas) levavam sua guerra do distante planeta cybertron para o meio-oeste americano no ano 1984 1993. Na liderança dos Autobots estava o caminhão Optimus Prime (literalmente a mesma figura de 1984, só com mais armas e uma caixa […]

Colunas

O dilema da morte no mundo dos super heróis

Existem duas regras perenes quanto a narrativa de super-heróis: 1º, Heróis não matam – matar é coisa de vilão, e heróis sempre encontram outra maneira. 2º, As vezes não há outra maneira e heróis tem que matar para salvar vidas. A contradição entre essas duas regras narrativas, praticamente cimentadas em pedra, é um velho problema dos quadrinhos de super-heróis (e similares) e não raramente vira um clichê hipócrita e surreal.   Afinal, como lidar com a aparente imortalidade dos vilões de quadrinhos – e até que ponto a superioridade moral do homem que não mata é realmente superior a do homem que mata? As coisas sempre foram assim? E não seria melhor se o Super-Homem saísse por aí matando todos os caras maus?   Nem sempre tão pacifistas: os tempos em que heróis matavam   Há um fato importante que é muitas vezes ignorado ao se tratar da questão do matar ou […]