Colunas

“Estão forçando ideologia nas histórias” – Ideologia, alegoria, personagens… tudo a mesma coisa

Muito se reclama de autores “enfiando ideologia” em suas histórias, como se narrativas não fossem por definição ideológicas. Quanto mais o tempo passa, mais essa reclamação – que para mim não faz sentido, salvo em casos como Senhor A, em que a pregação filosófica come a história – se torna comum – e mais se ignora que muitos personagens existem como personificação de ideais, ideologias e sistemas de pensamento. E isso é válido para toda forma de mídia: heróis e personagens folclóricos personificam modelos a serem seguidos. Javèrt, de Os Miseráveis, nada mais é do que uma personificação do conceito de “lei” sem justiça. Ahab e Moby Dick não passam de representações do quanto obsessões são destrutivas. Tarzan e tantos outros heróis pulp são personificações das crenças de seus autores quanto à superioridade do homem anglo-saxão – nem todos os ideais são positivos, afinal. Basicamente, tudo que foi escrito, sem querer ou […]

Artes Visuais

Cortes na pele, feridas na alma

Por Rubens Herbst* Depois do bullying, Vanessa Bencz faz novamente uso dos quadrinhos para discutir outro tema delicado: a automutilação na adolescência Vanessa Bencz ainda carrega as marcas de uma pré-adolescência difícil. Elas estão visíveis no seu braço: os cortes feitos por ela mesma quando tinha 13 anos, uma reação extrema aos seguidos abusos emocionais na escola, às pressões e a timidez. Pois a escritora e jornalista joinvilense não apenas superou os traumas como os transformou em munição para sua obra literária. Mais do que isso, fez deles uma causa a ser discutida por toda a sociedade, especialmente entre os jovens, onde o bullying e a automutilação se propagam como fogo em mato seco e ainda carecem de discussão série e aprofundada. O primeiro tema virou a história em quadrinhos Menina Distraída (2014), que multiplicou o número de palestras que Vanessa dava em escolas desde 2012 e fez dela uma espécie de […]

Colunas

O dilema da morte no mundo dos super heróis

Existem duas regras perenes quanto a narrativa de super-heróis: 1º, Heróis não matam – matar é coisa de vilão, e heróis sempre encontram outra maneira. 2º, As vezes não há outra maneira e heróis tem que matar para salvar vidas. A contradição entre essas duas regras narrativas, praticamente cimentadas em pedra, é um velho problema dos quadrinhos de super-heróis (e similares) e não raramente vira um clichê hipócrita e surreal.   Afinal, como lidar com a aparente imortalidade dos vilões de quadrinhos – e até que ponto a superioridade moral do homem que não mata é realmente superior a do homem que mata? As coisas sempre foram assim? E não seria melhor se o Super-Homem saísse por aí matando todos os caras maus?   Nem sempre tão pacifistas: os tempos em que heróis matavam   Há um fato importante que é muitas vezes ignorado ao se tratar da questão do matar ou […]