Santiago, Valparaíso, Viña del Mar e a vontade de ficar

Uma vez me disseram: “Não há nada para fazer em Santiago, só passo nessa cidade porque é escala para meu voo”. Respeito a opinião das pessoas, mas entendo quando estão equivocadas. Há sim muito que fazer e ver em Santiago. Mas quando estamos dispostos a viajar e conhecer outras culturas não basta ver, temos que sentir.

Essa é a diferença e talvez por esse motivo algumas maravilhas tenham passado despercebido por essa pessoa com quem conversei.

A cidade tem um ritmo e uma atmosfera muito diferente para mim, mas tenho a sensação que falta uma peça do quebra cabeça, que eu ainda não descobri em Santiago ou que falta algo nesse meu sentir (mesmo estando na cidade duas vezes).

Organização, educação, limpeza. Os carros param na faixa de pedestre, as ruas são limpas, os lugares bem cuidados. E por mais que existam conflitos nas manifestações, a polícia não é corrupta como no Brasil, sinto-me mais segura em pedir uma informação para um policial no Chile do que no Brasil, Argentina ou Bolívia (na Bolívia, infelizmente, algumas pessoas se fazem passar por policiais para enganar os turistas).

As praças e parques são lindos, não há o que dizer, apenas posso mostrar as fotos, mesmo sabendo que as fotos não captam quase nada, como o “sentir a atmosfera” ou o “vivenciar” que é extremamente necessário.

Tive a sorte de, por acaso (sim, por acaso porque eu não havia feito reserva nenhuma ao sair de Pucón e retornar a Santiago), de encontrar um hostel muito bacana (pequeno, mas acolhedor), com um café da manhã muito bom e a melhor cama e cobertas da viagem (Hostel de la Barra). É mais caro que outros lugares, mas valeu a pena. Nesse hostel também encontrei pessoas muito buena onda, como dizem por aqui, que me levaram para caminhar e conhecer a cidade, são eles: Camila Oro (argentina) e Felipe Pepe (chileno). Felipe nos levou a uma caminhada incrível de mais de sete horas (sim 7, de 7 mesmo). Ao retornar ao hostel não sentia meus pés, mas consegui ir até um bar com o pessoal e beber uma cerveja.

Fomos a feira em Los Domínicos (feira artesanal muy hermosa) de lá até o Parque Bicentenário (longe, longe mesmo) passamos por lugares incríveis, bairro Las Condes. A arquitetura vai mudando, de casas e prédios residenciais, para edifícios enormes, modernos, de pura ostentação. Depois, o cenário volta a ser mais residencial. Chegamos ao Parque Bicentenário, onde podemos observar o fim do dia e o sol sumindo nas cordilheiras formando um tom de vermelho incrível (tem as fotos, mas como digo, vivenciar é outa coisa). A arquitetura de Santiago é incrível, isso já vale uma visita a cidade.

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Próximo ao hostel em que eu estava existe um parque florestal que nos finais de semana todos saem para correr, andar de bicicleta, fazer piquenique e olha o que eu descobri

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Sim, uma bicicleta, numa árvore, uma pessoa super bacana e a felicidade das crianças.

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Uma outra coisa que não posso deixar de mencionar são os cachorros de Santiago, alias em todo o Chile, os cachorros de rua são uma atração a parte, você vai encontrar cachorro por toda parte, eles são enormes, são de raça e bem cuidados, as pessoas deixam comida e água, eu vi alguns até com roupas por conta do frio, mesmo os animais vivendo nas ruas as pessoas cuidam deles.

A região que eu estava era o Bellas Artes, próximo a Bella Vista (onde você encontra os bares e a vida noturna). Nessa região estão museus, teatros, cinemas e centros culturais. Há também o Cinema El Biógrafo (em que vi o filme francês cujo nome em espanhol é El tiempo de los amentes. Recomendo!). O Teatro del Puente também é outro lugar encantador (uma pena não ter visto uma peça lá).

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Outros lugares de parada obrigatória: Museu da memória (sobre a ditadura, triste, mas necessário), Museu de belas Artes, Museu de Arte Contemporânea, Centro Cultural GAM, Casa Pablo Neruda, Funicular (ao lado do Zoológico), Cerro Santa Lucía, etc, etc ,etc…

Santiago tem muitos eventos culturais, como shows nas estações de metro, música na rua Pio Nono, cafés bacanas, enfim é caminhar e conhecer! Por falar em cultura não posso deixar de falar dos meus amigos chilenos que conheci no ultimo carnaval do Rio de Janeiro. Uma rápida história. Lá estava eu curtindo o pré-carnaval carioca com amigos próximo a Praça Tiradentes. Estávamos saindo de uma exposição e resolvemos ir a uma festa que estava acontecendo em uma casa que também serve de local para exposições (lugares alternativos e incríveis que você encontra no Rio), enfim, uma música maravilhosa, pessoas com instrumentos de sopro e um ritmo que fez a festa rolar apenas no primeiro andar onde estava essa banda. Depois conversei com um menino que descobri pelo sotaque que era do Chile e ele falou que era dessa tal banda, que eram um grupo chileno e que iriam tocar no carnaval com a Orquestra Voadora, conhecia ali a Banda Rim Bam Bum, cerca de 28 músicos que agitaram o carnaval carioca.

E que para minha surpresa quando retorno ao Chile meus amigos Ariel e Bernardita (integrantes da banda), convidam-me para um encontro de músicos, e imagina minha cara quando fico sabendo que eles estão aprendendo chorinho, sim uma roda de choro em Santiago, trocamos a caipirinha e cerveja por vinho, o calor pelo frio, mas a música e o encanto continuam iguais. Simplesmente lindo, espero que eles continuem estudando a música brasileira, fiquei extremamente feliz em poder compartilhar esse dia com eles, foi o quarto encontro e o dia com mais pessoas apreciando a música brasileira com um toque chileno!

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Além disso tive o prazer de fazer um tour pela Biblioteca Nacional, uma visita guiada pela Camila (uma das pessoas que conheci no hostel), estudante de letras que está fazendo um intercâmbio nas férias e trabalhado na biblioteca. Outro lugar encantador. Camila também foi minha parceira nos vinhos e fizemos nossa obra de arte em homenagem ao vinho 35 sur.

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Sempre penso: viajar é também encontrar pessoas, e nesse quesito fui feliz em Santiago, reencontrei a Bernardita e o Ariel, conheci Camila, Felipe, Arturo, Bruno, Sarah, pessoas de diferentes países, com diferentes histórias e personalidades. Isso também faz parte da viagem. Senti-me bem ao encontrar essas pessoas, todas buena onda!

Então como dizer que não há o que fazer em Santiago?

Uma vez em Santiago vá para Valparaíso e Viña del Mar, cidades próximas cerca de uma hora e meia da capital. Em Valparaíso e Viña tive um parceiro de viagem, Bruno, uma das pessoas que conheci no hostel.

Chegamos em Valparaíso, algo muito diferente da organização de Santiago.

Uma feira caótica, um clima diferente, nada da organização vista em Santiago, uma cidade portuária, rodeada por morros e para ter acesso a parte alta precisa-se utilizar elevadores, ou funiculares, a ascensores, como preferir chamar. O charme da cidade são os grafites, fiquei encantada pelo lugar. Meu objetivo era conhecer a casa do Pablo Neruda e os grafites. E como caminhar é conhecer, optamos por subir a pé até a casa do Neruda, claro a casa fica em um lugar muito alto para ter a melhor vista, quase morri para subir, se você conhece as escadarias de Santa Tereza no Rio de Janeiro, pense em algo muito, muito maior, sou sedentária assumida, meu sonho naquele momento era: uma mesa e uma cerveja.

E foi exatamente o que encontramos um bar com uma mesa (sim apenas uma), com cerveja barata e o senhor mais querido para conversar.  Penso que o bar naquele meu momento de cansaço e desespero por não conseguir respirar foi o ápice da viagem. Lugares perdidos no meio do nada que eu adoro encontrar. Enfim conversamos com o senhor que conhecia muito o Brasil e que foi muito amável conosco.

Depois seguimos para a casa do Neruda que tem realmente uma vista incrível, ficamos um tempo na biblioteca, curtimos a vista e saímos para comer. Comparando a casa de Neruda de Valparaíso e de Santiago, a de Santiago me tocou mais, por toda a história de amor de Neruda e Matilde e também a morte de Neruda, um marco histórico que se tornou seu velório na ditadura. Além de ter chorado ao ver fotos de Neruda com Vinícius de Morais e Jorge amado. Também chorei ao ouvir e ler os poemas de Neruda. Ok na casa de em Santiago chorei horrores e comprei uns cinco livros, gastei horrores também!

Voltando a Valparaíso, a única parte complicada da viagem foi a comida, a cidade tem seu encanto adorei o clima, tudo, menos a comida, um tempero desnecessário que estraga tudo, mas sobrevivi não sei que tempero é esse, mas sei que não gostei, assim como a sopa de frutos do mar que não gostamos! Dica que eu nunca aprendo: na dúvida, coma um McDolnalds!

De Valparaíso pegamos um ônibus na praça central; em cerca de 20 minutos estávamos Viña del Mar, chegamos já era sete horas da noite, não consegui observar muito a paisagem, mas a diferença entre as duas cidades é grande, mesmo próximas. Vinã, tem uma estrutura mais organizada, é uma cidade maior do que eu esperava. Ficamos no hostel Ché Lagarto, muito bom também.

Aproveitamos para conhecer o Cafe Journal, o local com a melhor música. Dizem que é o melhor lugar para sair em Viña e acredito que as pessoas estão corretas. O Dj foi ótimo e ainda tinha fernet, como eu e meu amigo adoramos essa bebida argentina, aproveitamos bem o fernet e a ótima música.

Ficamos em Viña uma noite, no outro dia caminhamos pela cidade fomos encontrar o único moai fora da Ilha de Páscoa. A cidade é muito bonita, a praia é o charme do local. Nunca tinha visto pelicanos e albatrozes, então tirei 989 mil fotos, pois estava radiante como uma criança e queria levar um pelicano pra casa, além do fato de estar vendo pela primeira fez o oceano pacífico!

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Porém Valparaíso nos conquistou, resolvemos retornar e passar a tarde na cidade, o que valeu muito a pena. Encontramos mais grafites, caminhamos mais, a arquitetura do local é incrível. A mescla de materiais e estilos é muito diferente de tudo que já vi. Quanto mais caminhávamos mais surpresas visuais. Cansamo-nos muito, mas valeu toda a caminhada desses dois dias nas ladeiras de Valpa.

Posso dizer que a estadia em Santiago foi ótima, assim como a visita a Valparaíso e Viña também. Mesmo com uma vontade enorme de ficar e tentar uma bolsa para algum curso de artes visuais em Santiago. Pensei, pensei muito em uma conversa que tive com um amigo meu que me disse: “Não pare, sempre em frente, o mudo é grande demais e você conhece só uma parte” (frase do meu amigo Dan).

Eu tenho a tendência de gostar de um lugar, ir me entrelaçando e ficar, já conhecia Santiago e sabia de seus encantos, alias o Chile é um encanto, sair desse país está mais difícil do que eu imaginava, são tantas coisas para conhecer em um só lugar, que eu vou ficando, ficando…

Então um dia depois de voltar de Valparaíso, acordei, fui ao terminal e comprei passagem para San Pedro de Atacama. Próxima parada: Deserto. Sempre em frente!

Sobre Santiago:

Eu caminhava sozinha pelas ruas frias e de atmosfera misteriosa, da cidade que eu escolheria de olhos fechados para viver, Santiago!

Confira a galeria de fotos em:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.677342719010548.1073742047.206314556113369&type=1

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