Nota oficial sobre as mudanças internas do Coletivo Metranca

Há quatro anos, o Coletivo Metranca começava a se estruturar a partir de experiências acadêmicas e políticas de Hiélina Oliveira (designer), Marcus Carvalheiro (jornalista) e William Correa (designer). O grupo surgiu com a proposta de prestar serviços na área de comunicação sem depender de empregos formais e, ao mesmo tempo, continuar atuando em atividades políticas ou comunitárias.

Com o passar do tempo, mais integrantes se juntaram ao coletivo. Kátia Dias (estudante de jornalismo), Yasmin Moraes (estudante de publicidade), Leonardo Salomão (programador), Taiane Carvalheiro (mestranda em artes visuais) e Marina Pavão (estudante de design), hoje também fazem parte do Coletivo. O Metranca ainda conta com colunistas e outros freelancers que atuam no setor de serviços do grupo.

As experiências do Metranca se deram no campo da economia criativa e diversos projetos na área da cultura puderam ser realizados nesse tempo. Desde serviços propriamente ditos para festivais de música, grupos de teatro, bandas e casas noturnas, até parecerias para ações comunitárias ou movimentos/atos sociais.

Prestar serviços e atuar como mídia independente é algo complexo e a linha que divide o conceito de “empresa” e “coletivo” sempre permeou as conversas, reuniões abertas e até mesmo serviços que tivemos. Não aceitamos qualquer serviço, assim como também mantemos uma linha política crítica na atuação social. Para quem participa do coletivo ativamente é mais fácil entender o campo de possibilidades que a economia criativa pode gerar para uma mídia alternativa. Não a “economia criativa” citada em manuais industriais ou empresariais no estilo “Sebrae”, mas a economia criativa no sentido comunitário, que antes mesmo de ter este nome já era utilizada por figuras como Chico Science ou Luiz Gonzaga.  No entanto, com o passar o tempo tem sido cada vez mais difícil explicar isso tanto para as pessoas que iniciam no grupo, como para os parceiros ou parceiras que atuam ao lado do coletivo.

A visão sobre a intersecção destes dois campos (serviços e mídia) dentro do coletivo perpassa experiências muito pessoais e subjetivas de quem iniciou o Metranca. Desta forma, estamos promovendo uma mudança no grupo, visando uma maior clareza sobre as atividades que prestamos ou produzimos, justamente para o grupo não depender desta experiência pessoal. O coletivo deve ser coletivo. É necessário despersonificar a imagem do coletivo e torna-lo algo mais acessível.

Por este motivo o Coletivo Metranca passará a ser unicamente um portal cultural que contemplará espaço de mídia alternativa, agenda, produções em vídeo, colunas e outras atividades ligadas ao campo das artes, política, comunidade e afins. O setor de serviços será conduzido a partir de agora pela Blast Beat, uma nova cooperativa de freelancers que atuam na área de comunicação, produção e consultoria cultural.

Com estas mudanças, esperamos garantir uma maior independência e transparência ao grupo. Às vezes é necessário dar um passo atrás para, mais tarde, darmos dois passos à frente. Acreditamos que o conceito que temos de “trabalho” também deve ser um campo de reflexões políticas. O ideal seria não precisarmos trabalhar “a favor” do sistema durante a semana para lutar contra ele no “tempo vago”, mas ainda vivemos em uma sociedade que não garante ao ser humano várias necessidades básicas. Desta forma, algumas linhas de atuação ainda precisam ser bem objetivas. Antes de refletir sobre “trabalhos ideais” e “possibilidades políticas da economia criativa” talvez seja necessário fazermos nossa parte como mídia alternativa, apoiando quem luta todos os dias por uma sociedade melhor e divulgando quem atua no campo artístico, principalmente no lado “B” da cultura.

Integrantes do Coletivo Metranca

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O Coletivo Metranca é um portal que trata de comunicação e arte. Formado em Joinville, Santa Catarina, o coletivo surgiu em 2011, como opção e espaço para atender demandas do setor cultural da região.

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