NÃO ENTRE EM PÂNICO #25 – Suzane Von Richthofen

Recentemente vi uma matéria que falava de uma possível adaptação da história do assassinato do casal Richthofen para o cinema. Foi um verdadeiro frisson na internet. As pessoas acharam um absurdo retratar a história tão macabra como esta. Eu particularmente gostei muito da notícia. Acho muito interessante a história do caso e de como foi solucionado. Além disso, mais recentemente ainda, Suzane deu uma entrevista para Gugu Liberato na Record. Portanto acho que está na hora de falar um pouco sobre esse caso tão icônico.

Algum tempo depois dos assassinatos, lembro de ter lido o excelente livro de Ilana Casoy “O quinto mandamento”, que conta como foi o processo de perícia do caso e de como ele foi solucionado. Usarei os relatos deste livro, e o que observei da entrevista com o Gugu para tecer alguns comentários sobre Suzane. Não serei conclusivo em nada, apenas vou levantar alguns questionamentos.

Que o crime foi terrível e muito chocante, isso é indiscutível. Culturalmente é algo bastante impactante assassinar ou tramar o assassinato dos próprios pais. O que chocou mais ainda foi o fato de Suzane ser uma menina rica, bem educada, filha de um engenheiro e de uma psiquiatra, com um excelente padrão de vida, que aparentemente não sofreu abusos ou violência. Imagina-se que crimes bárbaros como este estão ligados justamente a falta de educação, a famílias pobres ou ao convívio familiar violento e conturbado. Nada disso estava presente na vida da família Richthofen. Na minha opinião o que mais cria essa comoção tão grande em torno dos acontecimento é a aparente falta de motivação do crime. Aos olhos do público geral leigo, Suzane não tinha motivos para ter feito o que fez. E isso é o que mais me intriga. O que levou ela a tramar a morte dos pais?

Trabalhando com a hipótese mais óbvia, Suzane se julgou acima do bem e do mal. Pensou que poderia ocultar todas as provas do crime e que ninguém descobriria o que aconteceu. A ideia era matar os pais para ficar com a herança e viver uma vida sem limites. Um sonho adolescente. Os imprevistos surgiram e a total falta de experiência dos assassinos acabou selando o destino de todos. Eu particularmente coloco questionamentos sobre alguns pontos dessa versão, que é o que é hoje veiculada.

O risco que Suzane estava correndo era muito alto. Não acredito que ela tenha sido tão inconsequente como aparenta ter sido.  Questiono se ela arriscaria absolutamente tudo na sua vida para viver um sonho adolescente? Sua família, sua vida confortável, seu futuro, todas as relações que ela tinha com amigos e parentes, sua considerável herança avaliada em 5 milhões, e até mesmo sua própria segurança e integridade física em nome disso? Não sei… Se desse certo, ela teria os pais fora de seu caminho. Mas será que esse empecilho valia tal risco? Acho difícil de imaginar que uma menina inteligente como Suzane fosse desconsiderar esse raciocínio.

Penso que seu relacionamento com Daniel era algo que ela queria manter a qualquer custo, porque para ela representava muito mais que um simples namoro adolescente. Na entrevista que Suzane deu a Gugu, ela fala de como sua vida era regrada, e até rígida ao meu ver. Suzane era tratada com muita disciplina pelo pais. Sua relação com Daniel permitiu que ela se desprendesse das expectativas dos pais, pudesse experimentar uma vida diferente, mais livre. Suzane gostou disso e quando a resistência da família foi ficando mais forte, ela foi se ressentindo. Largar Daniel poderia representar para Suzane largar todas as possibilidades de viver conforme seu desejo e voltar a sua vida regrada e sem grandes realizações. Suzane tinha dinheiro, um futuro confortável e garantido, bons pais, boa família, mas não tinha liberdade de escolher o que queria para sua vida, estava presa ao que os seus pais queriam para ela. Logicamente isso não justifica o crime, mas pode ser algum direcionamento de uma motivação. Acredito que uma motivação que se dirija para este caminho explica melhor tudo o que aconteceu. Suzane planejou matar os pais para manter-se como alguém que escolhe na vida. Algo que é comum a todos nesta época da vida. Certamente com Suzane isso foi diferente, ela foi longe demais, muito mais longe do que a imensa maioria das pessoas. Agiu por um impulso, quis se ver livre dos pais, mas fez isso de forma concreta e não simbólica. Bom é uma possibilidade, mas que não se sustenta por si só.

Há também outra, na qual sempre fico em dúvida. Seria Suzane algo que chamaríamos de psicopata ou sociopata? Não sei… As vezes quando observo as entrevistas tenho a impressão dela estar realmente fingindo tudo, pelo fato de não perceber as emoções fluindo por seu corpo. Tudo é muito controlado, muito dentro do esperado, muito previsível. Me parece uma atriz esforçada, mas sem nenhum talento. Mesmo fazendo tudo que fez, não consigo enxergar fragilidades em Suzane. Mesmo quando admite seus erros ela faz isso mantendo uma imagem inabalável. Ela matou os pais, mas diz que amava muito a mãe, destruiu a família em segredo, mas diz que confessou tudo ao irmão quando foi confrontada. Deseja tudo de melhor ao irmão, mas só recentemente abandonou seu direito a herança. Tudo tão ético, tão adequado, mesmo suas atitudes sendo tão avessas a isso… É difícil afirmar, mas esta também é uma possibilidade. Só uma pessoa muito fria conseguiria fazer o que ela fez. Se esta frieza é fruto de uma psicopatia ou vem de outro lugar, fica difícil de dizer.

Outra coisa que me intrigou foi o fato de depois de 12 anos sem falar com a impressa, Suzane resolver falar justamente e exclusivamente com a Record. Pensei logo que ela talvez tentasse se tornar pastora, e me surpreendi ao pesquisar e ver que alguns sites já haviam noticiado isso. Não sei até que ponto essa seja a única alternativa que ela tenha de ter alguma vida fora da cadeia. Onde mais aceitariam ela? Mas isso são cenas dos próximos capítulos…

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