NÃO ENTRE EM PÂNICO #22 – Nossa Geração

Ouço muito falarem da nossa geração como se tivéssemos vindo de um outro planeta, como se fossemos seres totalmente estranhos e descontextualizados do fluxo da história. Somos tratados como quase um acontecimento. Nos observam como um fenômeno a ser estudado. Eramos crianças que até ontem só estavam na plateia, mas que hoje tem a petulância de se apropriarem do mundo material onde antigos reinados desmoronam dia após dia.

De certa forma, nada disso é novidade. Desde que o mundo é mundo a dita nova geração chega aí pra sacudir os alicerces da antiga. É assim que a vida é, o passado passa e o futuro se agiganta. Porém, nem por isso, se torna menos necessária essa constatação: A nossa geração tem dado um bocado de trabalho. Para os antigos donos da verdade, nós não fizemos absolutamente nada. Eles é que fizeram tudo, nós não chegamos nem aos pés deles. Coitados, mal podem enxergar o que está diante dos olhos.

Nossa geração tem extremos. Temos quem lute pelo avanço e quem lute pelo retrocesso. Aqueles que estão amarrados as expectativas e aqueles que já conseguem se libertar delas. Somos a definição de mistura heterogenia, algo que me parece diferente das demais, onde todos se alinhavam sob ideologias comuns. Não há mais a ideologia, a bandeira ou a identidade comum, o que existe é a noção de uma não identificação entre nós mesmos. Demorou, mas percebemos que cada um vive num universo muito singular e incompatível.

Isso gera atritos, faíscas e pequenos focos de incêndio por vezes. O convívio entre os pares, o que antes era super tranquilo, hoje não mais é. Talvez o principal erro de nossa geração seja o de se ver como um pequeno monarca de sua galáxia singular, cheio de si e vazio de outros. Vivemos na ilusão de uma autossuficiência, mesmo quando o que mais queremos é sermos amados. Poucos são os que tem coragem de desbravar outros mundinhos, sem querer coloniza-los.

Mas quanto todo esse reinado vacila, sentimos a solidão de nosso mundinho e procuramos outros, mas agora não temos mais uma língua comum a todos esses diversos universos. Não há mais essa identificação mútua e é preciso um esforço maior para nos conectarmos ao outro. Nada que não possamos dar conta. Vivemos relações hoje que são da ordem de uma relacionamento diplomático, não mais os relacionamentos cotidianos por comodidade. Antes as regras de relacionamentos estavam dadas, agora é preciso correr atrás.

Vivemos na época da nossa efervescência e alguns de nós optam por lutar contra isso, talvez estejam caindo no local comum de achar que a grama do vizinho sempre é mais verde. Não há como sermos como eles meus queridos, nem eles conseguem ser como nós, desistam, sejam aquilo que vocês sabe que são, não lutem contra a natureza das coisas. Por sorte, alguns de nós fazem justamente o contrário, estão se percebendo e percebendo mais as coisas ao seu redor. Neste processo, coisas fantásticas surgem. Aproveitem meus caros, logo seremos o passado sendo esmagado pelo gigantismo do futuro, se movam pelo vento sem deixar que o veneno da apatia se espalhe.

 

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