NÃO ENTRE EM PÂNICO #20 – Foda-se!

Falta para muitos e sobra para tantos outros o uso de uma expressão das que mais gosto em nossa língua: Foda-se! Ao contrário do que os moralistas de plantão estão pensando, o foda-se não é sempre assim tão ofensivo, ou mal educado. A instituição do foda-se é algo muito necessário e fundamental, quando administrado na dose certa. Há momentos em que ele é sem sombra de dúvidas uma das poucas opções disponíveis. Diante das paradoxais escolhas da vida, onde muitas vezes se escolhe entre a ruim e horrível, onde nos damos conta do limitado horizonte de alternativas disponíveis a nós, meros mortais, eu recomendo fortemente foda-se três vezes ao dia, de oito em oito horas. Vai fazer você se sentir melhor, não tem erro.

Aos que se tornaram adictos do foda-se, que o usam nos bons e maus momentos em doses cavalares, talvez vocês não tenham do que se queixar da vida. Afinal de contas, foda-se ela. Mas será que tem do que se orgulhar? O foda-se é uma faca de dois gumes, um processo de se blindar da afetação que certas coisas nos causam. As vezes necessário e inevitável, mas trás seus efeitos colaterais. Usá-lo é caminhar constantemente na corda bamba. Muitos mascaram o foda-se para talvez usá-lo com menos culpa, chamam de deixar pra lá, deixar quieto, deixar baixo… Seriam os genéricos da mesma fórmula, nomes-fantasia diferentes, mas o mesmo princípio ativo.

Não julgo os adeptos do foda-se, mas tento sempre manter-me longe dele. Depois de um uso prolongado e abusivo, vi que ele não funcionava para mim. Me tornei resistente a seus efeitos. Considero que ele só consumiu meu tempo e energia, uma vez que ele não soluciona, só alivia os sintomas. Sofro hoje da abstinência do foda-se, cujo os sintomas são frequentes vontades de mandar todo mundo se foder, ou de achar que só eu me fodo nesta vida. Largar o foda-se foi uma escolha difícil, mas necessária. Não sei dizer o que me incomodava no foda-se, talvez a associação que fiz entre o foda-se e a covardia. É importante lembrar que o medo é comum a todos, tantos os usuários como os não-usuários do foda-se são acometidos por ele, mas diante dele, os que usam foda-se só tem uma alternativa: a covardia mascarada e velada. Sem o foda-se, pelo menos pode-se ser covarde assumidamente, e assim de vez em quando, um pouco corajoso.

O foda-se é uma bandeira branca numa guerra pela conquista de nós mesmos. É a derrota por W.O. no jogo de arriscar. É a coragem sem medo real. É o investimento seguro sem nenhum retorno. É a pole position sem a corrida. A razão sem a pergunta. A vida sem a morte. Por essas e mais outras que adoro o foda-se, existe expressão mais precisa para situar alguém?

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