NÃO ENTRE EM PÂNICO #01 – Tatuagem

#01 Tatuagem

Escrevo este texto para você que torce o nariz quando vê alguém todo tatuado cruzando seu caminho, ou até faz pior. De cara já esclareço que não tenho nenhuma tatuagem, pois nunca tive até então vontade de fazer. É simples assim, sem nenhuma explicação muito mirabolante. De qualquer maneira me sinto completamente à vontade neste tema e vou dar minha visão sobre este assunto que divide opiniões:

Primeiramente é preciso ter em mente que tatuagem é tabu, ou algo ligado a aspectos negativos apenas para uma determinada geração. Logo,  eu vejo isso com certa satisfação. Nasci em 1989 e não é minha intenção aqui definir qual é a minha geração – Alias, acho que essa discussão rende bastante e pensarei em aprofundá-la mais tarde – e qual é a anterior ou a próxima, porém acho que citando o ano já dou algum parâmetro para provocar a reflexão.  Isso me faz acreditar que, talvez, daqui a alguns anos, tatuagem seja algo que passe batido completamente.

Para quem estiver lendo se situar melhor: Hoje, em determinados círculos, é até um pouco estranho dizer que você não tem nenhuma tatuagem. Isso gera no mínimo um “-Como assim!!?” de tanto que a cultura da tatuagem se disseminou. Contudo, para uma determinada geração e talvez em determinados espaços, tatuagem não é nada bem vista. Isso por vezes me assusta. Esqueço muitas vezes que nem todos tem as concepções que tenho, portanto vou compartilhar algumas delas, talvez sejam úteis para algo:

Sempre pensei a tatuagem como expressão artística gráfica. E a rigor ela é, não se diferencia em nada das demais exceto pelo meio onde ela é transmitida: O corpo. O conteúdo de uma tatuagem muitas vezes nem é levado em conta só porque ela é uma tatuagem, isso já gera algum tipo de sentimento nas pessoas, logo ao meu ver não se trata da obra sem si, mas do meio, o corpo. E ai entramos na discussão central do tema, a quem pertence esse corpo?

Modificações no corpo são algo bem presentes em todas as culturas, e bem difundidas por sinal. Desde a circuncisão judaica que tem um tom super tradicional até o engraçadíssimo freak show “Dr. Hollywood”, que explora essa loucura que é muitas vezes estar insatisfeito com o próprio corpo, são inúmeros exemplos que podem ser citados neste campo. Para responder a questão sobre a quem pertence ao corpo, poderíamos filosofar muito sobre, trazendo visões diversas, religiosas, morais, éticas, lógicas, legais, dentre outras… Mas vamos encurtar um pouco esse trem ai. Tomaremos um atalho. Como eu disse antes, tatuagem pode ser pensada como arte, e, toda arte por excelência levanta uma discussão. Neste sentido, ponto para a tatuagem! Pois já levanta a discussão de como pensamos o corpo na nossa sociedade de cara, sem nem analisarmos seu conteúdo. Isso sempre me surpreende, vocês não acham engraçado o fato de algumas marcas de tinta na pele  provocarem tamanha reflexão e estranhamento em algumas pessoas?

Continuando neste embalo é impossível não se perguntar: Porque isso é feito no corpo? Qual a lógica desta escolha? Bom, não é possível responder a isso sem ser generalista e certamente cair em um erro. Cada um faz no corpo por um motivo próprio e único. Porque fazer no corpo ao invés de fazer em uma tela ou em uma parede? Talvez porque carregamos o corpo pra cima e pra baixo na vida e isso tenha algo haver com a mensagem artística. Daí dou mais um ponto para a tatuagem, pois por ter o corpo como seu meio chama a atenção para as peculiaridades deste: Ele transita, envelhece e se modifica.

Como disse anteriormente, não tenho tatuagens, mas vejo estampado no rosto de amigos que tem a cara de “que saco!” quando alguém pergunta: O que significa sua tatuagem? Eu particularmente me divirto com isso, pois é bem verdade que “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. É absolutamente claro na minha visão que a tatuagem tem um significado, porém imaginem a cena: Uma obra de arte qualquer exposta em um museu, por exemplo,  com uma placa do lado dizendo “Esta obra significa ISSO AQUI OH!”. Isso seria no mínimo muito pobre enquanto experiência. Pra não dizer bizarro. Então fica a dica valiosa: – Não façam isso, a interpretação não é trabalho do artista, é seu.

Outra coisa que gostaria de levantar a respeito deste tema também é que nem toda tatuagem é arte. Tem coisas que claramente são tudo menos arte. São simplesmente marcas na pele que agregam um certo ar de descolado à pessoa, que não estão certamente atreladas a nenhum desejo ali manifestado em forma de tatuagem. Neste sentido volto ao primeiro ponto levantado, a exclamação de “-Como assim!!?” quando em certos círculos dizemos que não temos tatuagem. Sou muito rigoroso neste posicionamento, talvez até esteja equivocado de alguma forma, mas sempre entendi que arte não pode ser algo banal. Melhor dizendo, não pode ser algo banalizado, banal pode até ser. Bom, mas isso já é outra discussão.

Minha intenção aqui não é fazer ninguém se tatuar, ou de virar ativista da tatuagem, só de abrir um pouco a cabeça para outras possibilidades, tentar desmistificar alguns preconceitos. Principalmente dar alguns argumentos para pensar. O que eu mais gostaria de criticar aqui, passando um pouco dessas questões introdutórias sobre a tatuagem é: Será que algumas marcas de tinta na pele dizem algo tão significativo sobre a pessoa que as carrega?

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