Minorias nos Quadrinhos: O casal gay (e robótico)

DONK!
BONK!

Quadrinhos desde a introdução do infame Northstar, nos anos 80, tem sofrido com personagens gays que existem só para dizer “eu sou gay”, e mais nada – certo que o Northstar se casou uns anos atrás, mas não muda que por anos ele foi o “cara gay que nunca deixava a tropa alfa esquecer que ele é gay”. E ele ainda assim é um avanço quando comparado ao primeiro personagem oficialmente gay da DC, o Extraño – um amontoado de clichês que nunca deveria ter sido publicado, e que morreu nas mãos de um vampiro aidético.

As coisas melhoraram um bocado nos últimos anos, com representações excelentes tanto no mainstream (como a dupla Apollo e Meia Noite, da falecida Wildstorm, que costumavam ser casados e com uma filha adotiva; A Batwoman Kate Kane e a Questão Reneé Montoya, na DC (tragicamente, pelo madato editorial de Dan Didio, no novo 52 mataram a Montoya. Pra gerar drama); o Wiccano e o Hulkling, de Jovens Vingadores, ou Karolina Dean e a transsexual Skrull Xavin, de Runaways, na Marvel) ou em quadrinhos “fora dos radares”, como a adorável dupla Paz e Kat em Gunnerkrigg Court, a conturbada relação entre Jennifer Billingsworth e Ruth Lessick em Dumbing of Age, ou as super heroínas Spinerette e Mecha Maid, em Spinerette.

Ao invés de um relacionamento “de fachada” só para a editora dizer que tem um, são relacionamentos com falhas, desafios, e que não são tratados como só um “e nós somos um casal”. (e por sinal, tanto Xavin quanto Kat serão sujeitas ao tratamento desse tópico). Algo que tem felizmente se tornado mais comum ao longo dos anos – e que me aturde que anos antes de qualquer uma das grandes ter levado isso a sério, dentro de uma delas algo tenha “passado pelas frestas” na forma do Arnie Roth, que vocês viram aqui.

Mas o nosso tópico é… O casal gay: Chromedome e Rewind (IDW – Transformers)

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E num caso surpreendente, um dos exemplos maiscompletos  de um relacionamento homoafetivo (independente se você considera eles homens ou “neutros”) veio de um quadrinho de… Transformers. Sim, de um quadrinho baseado em uma linha de brinquedos, a mesma linha que deu origem aos filmes abismais de Michael Bay, que são o oposto de inclusivos – e os quadrinhos da franquia também estavam muito aquém do ideal. Em partes por causa de um mandato editorial machista (que dizia que não deveriam haver mulheres transformers, entre outras coisas, apesar dessas existirem desde 1985, na segunda temporada do desenho – ou melhor, desde 1983, nos rascunhos de Bob Budiansky para as personalidades da primeira leva de bonecos) , e em partes por uma base de fãs (agora escritores) que cresceu nos escritos do editor responsável pelo mesmo mandato editorial , e que em mais de dois terços das histórias não tinha um único personagem que não fosse um robô “másculo” ou um homem branco.

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As coisas lentamente mudaram quando a licença passou para a IDW (bizarramente, fundada pelo mesmo figura que condenei acima), e nomes novos começaram a mudar s coisas nos quadrinhos de Transformers. E nada mais espantoso do que o feito por James Roberts em More than Meets the Eye (2012 – presente), os autobots Chromedome (Mneumocirurgião – literalmente um cirurgião de memórias) e Rewind (arquivista, cinegrafista e jornalista) foram revelados como sendo conjux endura – o equivalente cybertroniano de cônjuges. Contrariando o clichê de mostrar o casal feliz e esquecível (e depois tirar eles de cena, porque “já fizemos o bastante”, como aconteceu com Northstar), a relação dos dois teve seus altos e baixos; conturbada, sem ser dramalhão mexicano; feliz, sem ser melosa; com brigas, sem ser fadada ao fim – ou seja, um relacionamento real.

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Ao longo das 15 primeiras edições de MtMtE, o casal lidou com sentimentos de inadequação (causados pelo passado sombrio de Chromedome e o alt mode “inútil’ – um memory stick gigante – de Rewind); Ciúmes por relacionamentos passados, preocupações com o futuro, vícios e briguinhas idiotas do tipo que qualquer casal tem. Isso junto de discussões seríssimas pelo comportamento de risco (e de vício) de Chromedome como mneumocirurgião (pois invadir as memórias de alguém é arriscado. fazê-lo com suas próprias então…), ou lidar como uma gravíssima emergência médica do seu par… E isso tudo foi feito com naturalidade. O segredo, aparentemente, foi o óbvio: escrever um casal e fazer da homoafetividade ser apenas um detalhe.

O par foi recebido com hostilidade por uma pequena parte da fanbase de Transformers, por ter “isso forçado garganta abaixo” e “tem personagens LGBT demais” – ironicamente, essa parte é a mesma que insiste que os cybertronianos não são homens, e que não havia nada de errado na única mulher da franquia ser uma transsexual homicida, (porque um editor quis que não tivesse outras) coisa que felizmente foi mudada com a recente minissérie Windblade (que é também a primeira vez que qualquer peça de ficção oficial de transformers é ilustrada por uma mulher, e cuja roteirista é a primeira mulher a escrever transformers – cargo que obteve ano passado. IDW, tá na hora de mudar isso).

 

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Infelizmente, Roberts odeia felicidade tanto quanto Joss Whedon, e o casal teve um fim trágico – mas ao menos antes disso houve uma gravação tocante, e uma cena igualmente  tocante lidando com a maneia autodestrutiva que Chromedome lida com a perda – o que também incluí o sobrevivente em outros dois grupos frequentemente mal representados: as vitimas de stress pós traumático, e os viciados. Em sua magoa, Chromedome se dispunha a alterar seu próprio cérebro para esquecer – e como notou outro personagem, se ele fizesse isso, aí que Rewind realmente estaria morto. Resta saber, agora que MtMtE retornou (após o mega evento “Dark Cybertron”, que a tradição destes… foi uma furada), o que o futuro trará para o Mneumocirurgião…

 

 

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Dick Grayson, SUPER ESPIÃO

GRSON-Cv1-6ddaaEu ia falar disso na semana passada – mas achei que era melhor segurar porque o texto já estava pesado para incluir as notinhas: Começando em Julho deste ano, Dick Grayson – o Robin original, hoje Asa Noturna – não mais será um super herói. Começando em julho, sua nova revista Grayson o traz como um super espião, combatendo terroristas e agentes estrangeiros. Depois de ter sua identidade civil revelada durante os eventos de Forever Evil, Grayson é convencido pelo Batman a abandonar a identidade secreta.  Meus problemas começam já nessa premissa: se a identidade Grayson foi comprometida, porque não arranjar uma identidade falsa e continuar como asa noturna?

De qualquer maneira… é esperar para ver como será o andamento da revista. Por ora, não me agrada – ainda mais que Dick Grayson era por mim um dos mais louváveis membros da “Bat Família”, e deveria ter permanecido como o Homem Morcego após Batman R.I.P. Mas para a DC, é melhor repaginá-lo como um super espião a lá Jason Bourne ou James Bond. Porque não criar um personagem para isso?

 

Girl Genius nomeado ao Hugo, novamente. 

O excelente quadrinho de Kaja e Phil Phoglio, Girl Genius (que pode ser lido aqui) foi mais uma vez nomeado ao Prêmio Hugo, o mais importante prêmio de literatura de ficção científica e fantasia. Nos últimos três anos o casal não havia inscrito a série na premiação, depois de ter ganho o prêmio por melhor história gráfica por três anos seguidos. Girl Genius é uma HQ steampunk de fantasia à lampadas de gás, e tem sido publicada continuamente desde 2001, com publicação online desde 2005. Também concorrendo ao prêmio estão as obras originais SAGA, de Brian K Vaughan e Time, de Randall Munroe e duas histórias licenciadas, uma de Doctor Who e uma de The Game of Thrones. 

Diretor de X-Men enfrenta acusações graves

O diretor dos dois primeiros filmes de X-Men, e do ainda não lançado Dias de um Futuro Esquecido, Brian Synger, está com problemas: pela segunda vez ele está sendo acusado de ter utilizado de sua posição como diretor para abusar sexualmente de menores. A primeira vez foi durante as filmagens de The Apt Pupil, quando alguns extras alegaram que o diretor mandou eles se despirem e os filmou para sua própria gratificação. Agora, a acusação vêm de um ex-ator, que diz que em 1999 – quando o rapaz tinha 17 anos – Synger teria lhe drogado e forçado-o a fazer sexo com ele. A Fox e o diretor alegam que são acusações oportunistas e levianas – no entanto, Synger é conhecido em Hollywood por suas festas homéricas envolvendo drogas e rapazes. Ao mesmo tempo, a acusação de fato surge em uma hora muito oportuna, a menos de um mês do lançamento do filme.

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