Maniacs Metal Meeting 2017: Os shows que mereceram destaque

Festival ocorreu nos dias 08, 09 e 10 de dezembro de 2017, em Rio Negrinho

A Fazenda Evaristo, que tradicionalmente recebe o festival Psicodália e recebia o finado Zoombie Ritual, abriu suas portas e porteiras para a segunda edição do Maniacs Metal Meeting (a primeira longe da produtora Cronos Entertainment). A ótima estrutura do local que – além de grande área de camping e banheiros com chuveiros – , possui trilhas em meio a mata; cachoeira; circuito de paintball; lago e até mini-quadras esportivas, é perfeita para não deixar ninguém ocioso.

Há de se destacar o empenho da organização e da equipe de som para que o cronograma fosse cumprido à risca, onde o intervalo de cada atração não superou 20 minutos. Mas, infelizmente, como vocês já devem estar inteirados, acontece um lamentável caso com dois membros deste coletivo – e que não foi privilégio só nosso nessa turnê latina da banda Gorgoroth. Apesar dessa falha de segurança para quem curtia e/ou trabalhava no festival perante atitudes de pessoas estrangeiras destemperadas, seria uma injustiça ter apenas esta imagem como resumo dos três dias.

Como houve um claro desânimo e cansaço psicológico de nossa parte após o ocorrido na madrugada de sábado para domingo, a cobertura do dia 10/12 ficou inviável. Vale citar que esses são os shows, dos dias 08 e 09/12, que mais agradaram a mim, não significando uma desqualificação às outras atrações ou que represente também a preferência dos outros membros do coletivo. Nos próximos dias e semanas também serão divulgados outros conteúdos sobre o festival, principalmente na área audiovisual.

Gangrena Gasosa

Intenso e brutal. O sexteto encabeçado por Zé Pilintra fez uma das mais eloquentes apresentações vistas na edição deste ano. Em uma performance enérgica e teatral em cima do palco, o grupo carioca soube utilizar com perfeição as características emprestadas da umbanda – das “entidades” no palco ao “despacho” que foi jogado sobre o público. Passando à fio pelos 25 anos de história da banda, clássicos como “Centro do Pica-Pau Amarelo”, “Eu Não Entendi Matrix” e “Se deus é 10, Satanás é 666” embalaram um show que usa e abusa dos esteriótipos do metal e do hardcore.

Surra

Direto de Santos, este show foi a maior dose de punk que um festival de headbangers não poderia esperar. Com letras tão fortes nas músicas do seu set – baseado no álbum “Tamo na Merda” (2016) -, o trio não precisou de muito mais do que isso para impulsionar quem os assistia lá em baixo: foi como uma faísca sendo ascendida num barril de pólvora. O clima obrigatoriamente levou a platéia á empurrar as grades de proteção até que elas encostassem nas estruturas de sustentação do palco, permitindo assim que todos subissem para o tradicional stage diving (ou mosh). Afinal, definitivamente isso era um show punk.

Cassandra

Créditos para o fotógrafo Rodrigo Scholze

Os últimos dois shows da noite de sexta-feira (08) foram propícios para todos os Maniacs irem para cama (ou só para a barraca mesmo) reenergizados. A distorção tem esse poder de pulsar diferentes vibrações sob quem está de frente a está camada sonora e, ao abusar disso, o duo Cassandra (primeira das bandas que finalizaram àquela noite) sabe exatamente o que está fazendo. Daniel Silveira (baixo e vocal) e Karina D´Alessandre (Bateria) trouxeram três de suas Previsões de Antumbra, cuja sonoridade foca em ritmos lentos que crescem numa grande catarse – aka post-metal. Em seguida, quem subiu ao palco foi o quarteto Ruínas de Sade, de Brusque; continuando a vibe arrastada e acrescentando muita psicodelia ao ar.

Zombie Cookbook

A Zombie Cookbook é a putrefação do metal. Há alguns anos na estrada, a banda joinvilense se utiliza do lado mais aterrorizante e extremo do metal (principalmente o death metal e o grindcore) para criar aquilo que eles mesmos classificam como dead metal. Nesse mix de decomposição, sangue, cadáveres e música pesada, os novos clássicos do horror “Motel Hell” e “Harvest of the Damn” estavam presentes; porém, também foi a última vez que Claudio Ivan “Dr. Freudstein” Wurfel esteve empunhando as baquetas e marcando presença com seu ritmo frenético, já que o músico está de mudança para outro estado.

Luxúria de Lillith

Créditos ao fotógrafo Rodrigo Scholze

Uma das maiores hordas do black metal brasileiro subia ao palco sob aclamação, também na sexta-feira. Com quase vinte anos de carreira, os goianos sabem como hipnotizar a sua platéia no Maniacs Metal Meeting, através de profanações musicais e presença de palco imponente. Entre os sons apresentados estavam “A Volúpia Infernal”, “Perpétua Escuridão” e “Desejos Infames”, verdadeiras obras blasfemas dessa banda que angaria cada vez mais fãs por onde passa.

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Giovanni Cabral
Sobre Giovanni Cabral 49 Artigos
Um genuíno caipira hipster das sombras que aprendeu a lidar melhor com os seus fracassos do que com qualquer vitória ilusória. Aqui e em outros escombros da internet, sou divulgador, pseudo-crítico e produtor de arte.

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