Cyberpunk, distopia e sintetizadores: o clima retrofuturista do Perturbator

“High tech, Low life”, essa é a principal descrição de um ambiente cyberpunk. As realidades distópicas surgidas nesse subgênero de ficção científica podem ser descritas como lugares controlados por tecnologias da informação, num ambiente de dominação ou destruição da sociedade, além da revolta de seus cidadãos e da degradação do estilo de vida. As sociedades são marginalizadas em sistemas avançados culturalmente, mas o povo é controlado por um governo opressivo, uma religião fundamentalista, um computador ou sistema dominador, ou um conjunto de corporações.

Baseando nessa estética, surge nos anos 2000 o synthwave (ou retrowave); buscando uma ligação entre referências como o filme Blood Runner e as composições de John Carpenter,  Goblin e Tangerine Dream, porém, carregadas de características clichês oitentistas (vocal com reveb, sintetizadores analógicos extremamente nítidos e bateria eletrônica pulsante). Alguns nomes tem já destaque nessa “cena” – tal como Gost e Carpenter Brut -, mas é Perturbator (pseudônimo do francês James Kent) que ganhou maior notoriedade, graças a sua presença na trilha-sonora da série de games Hotline Miami.

Assim como seus antecessores, The Uncanny Valley é uma viagem aterrorizante através de um mundo de pesadelos, pegando a pós-guerra contra as máquinas referenciadas no álbum Dangerous Days (2014) como base. Falando propriamente da parte musical, de cara temos uma frenética massa de sintetizadores sobreposta em “Neo Tokyo”, pincelando qual será o ritmo majoritário até o final. Há algumas exceções, a exemplo do clima jazzístico encorporado em “Femme Fatale”; ou de “Venger” e “Sentient”, mais voltadas ao eletro house. E sempre é bom lembrar que James Kent é ex-guitarrista de uma banda de black metal, portanto não se surpreenda com o instrumento distorcido em “Diabolus Ex Machina” e ainda, se sua imaginação for mais inventiva, ao fazer o exercício de substituir os sons eletrônicos por melodias tradicionais do metal, poderá notar uma certa familiaridade nas composições (como foi citado pelo próprio criador em entrevista ao Noisey) – e talvez seja esse o motivo do álbum ter caído no gosto dos headbangers.

Dito isto tudo, a música do Perturbator trabalha principalmente sobre a atmosfera e como a música faz você se sentir. Trata-se de sons que evocam ruas de uma metrópole higienizada de néon e fumaça, de forma cinematográfica, trazendo ainda um frescor penetrante da EDM. É essa mágica viagem ficcional de volta ao tempo, para lisérgicos anos 80, recriando uma mistura alucinante a partir da perspectiva de elementos que nunca existiram.

Gostou do conteúdo?


Curta a nossa fanpage no Facebook:  
e siga-nos no Twitter:  

O Metranca agora está aceitando conteúdo enviado pelos leitores!
Confira em: https://coletivometranca.com.br/contribua-com-o-metranca/

Veja Também

Giovanni Cabral
Sobre Giovanni Cabral 39 Artigos
Um genuíno caipira hipster das sombras que aprendeu a lidar melhor com os seus fracassos do que com qualquer vitória ilusória. Aqui e em outros escombros da internet, sou divulgador, pseudo-crítico e produtor de arte.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*