Crítica: The Gifted – 1ª temporada

Série da Fox arrisca em personagens dos X-Men pouco conhecidos do público comum

No já longínquo ano de 2000, era lançado o primeiro filme dos mutantes de Stan Lee e Jack Kirby no cinema. Com X-Men, dirigido por Bryan Singer, também diretor do primeiro episódio desta série, fomos apresentados nas telonas a um mundo de heróis perseguidos por terem nascido “diferentes” do restante da população. De lá pra cá, nos noves filmes que se procederam (incluindo uma trilogia instável de Wolverine e o sucesso com Deadpool), muitas derrapadas aconteceram nas mãos da Fox – e isto inclui a enorme confusão gerada na cronologia de cada filme e as bizarrices em roteiros que pouco tinham em fidelidade com as histórias originalmente escritas para os quadrinhos. The Gifted surge ambientada neste mesmo mundo mutante, com a missão de trazer uma história dos X-Men, sem nenhum grande integrante da equipe de Charles Xavier.

O episódio piloto talvez tenha sido o mais empolgante da primeira temporada, principalmente para aqueles que tinham pouca expectativa perante o que a série poderia proporcionar. A trama inicialmente gira entorno da família Strucker; Reed (interpretado por Stephen Moyer) é um promotor de justiça de uma força-tarefa antimutante que descobre que seus filhos, Lauren (Natalie Alyn Lind) e Andy (Percy Hynes White), são mutantes, gerando assim naturalmente um dilema para ele próprio e forçando-o a levar sua família a um lugar seguro dessa cruzada contra aqueles que carregam o gene x. O surto de Andy perante a eminente agressão física que receberia de alguns colegas de escola acaba sendo o grande estopim para a primeira aparição de seus poderes – lembrando que, nas histórias dos mutantes da Marvel, é tradicional que os poderes se manifestem na puberdade e em situações de risco -, posteriormente chamando a atenção do Serviço Sentinela e gerando assim essa sensação de “caçada” que mencionei.

A família Strucker consegue abrigo num esconderijo/prédio denominado Resistência, e que é liderado pelos mutantes Eclipse, Polaris e Pássaro Trovejante. Este abrigo clandestino, que de fato merece o título de “resistência”, foi criado a pedido da própria equipe dos X-Men, que decidiram sair de cena (assim como a Irmandade) após um misterioso incidente em 15 de julho. O prédio da Resistência carrega muito bem a ideia de cárcere, aprisionamento e restrição de liberdade, pois, como os mutantes sempre são considerados uma ameaça a raça humana, sua integração social é totalmente descartada.

O grande trunfo da série talvez seja o maior primor em desenvolver os personagens em questão, seja o núcleo familiar, os membros da Resistência ou mesmo o Agente Turner do Serviço Sentinela; e este fato era pouquíssimo visto na sequencia de filmes lançados pela Fox nos cinemas, não só pelo tempo, mas pelo demasiado apelo pela ação constante nos cinemas. Isso possibilitou uma melhor compreensão das motivações de cada um dos principais envolvidos na trama, servindo assim para explanar que todo ser possui uma dualidade natural – ninguém é mau “por ser mau”, existe uma enormidade de fatores que levam alguém a tomar atitudes extremas.

Cena da 1ª temporada de The Gifted

Durante os primeiros episódios apresentados, foi nítido ver uma força muito grande; com debates a respeito de escolha, nascimento, xenofobia, segregação e preconceito. Porém, o miolo da série apresentou soluções de roteiro um tanto quanto preguiçosas, em uma zona de conforto que às vezes apostava mais do que o necessário em clichês para a história correr com naturalidade. O orçamento reduzido também foi perceptível quanto ao limitado número de locações e as cenas de ação pouco empolgantes aos olhos – talvez não houve verba e/ou tempo suficiente para o uso de CGI, que dimensionaria melhor o poder dos mutantes. Fora os fillers e as eventuais escolhas equivocadas dos roteiristas em meio aos 13 episódios, The Gifted tem potencial para melhorar em sua narrativa para a 2ª temporada, focando agora no Clube do Inferno e em conflitos dramáticos mais internos.

Vale ressaltar que também em 2017, no FX – canal fechado da própria Fox -, estreou Legion, outra série pertencente ao universo X-Men. A diferença desta para The Gifted é que houve uma liberdade para o experimentalismo nunca antes vista em seriados de heróis na televisão, acertando ao explorar um personagem costumeiramente escanteado e que possuía todas as características para isto. A história acompanha David Haller (nas HQs, o filho do Professor Xavier), um jovem diagnosticado com esquizofrenia e que viveu grande parte da sua vida em uma clínica psiquiátrica; lá, ele começa a descobrir que as vozes que ele ouve não são exatamente “vozes”, e que talvez ele possa controlar a realidade utilizando sua mente.

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Giovanni Cabral
Sobre Giovanni Cabral 32 Artigos
Um genuíno caipira hipster das sombras que aprendeu a lidar melhor com os seus fracassos do que com qualquer vitória ilusória. Aqui e em outros escombros da internet, sou divulgador, pseudo-crítico e produtor de arte.

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