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Capitão America: O soldado Invernal – Um épico de crítica aos EUA.

Uma coisa diferente desta vez: ao invés de falar de quadrinhos diretamente, o objeto de hoje é um filme – de quadrinhos, mas ainda assim um filme. Segurei o tópico até esta semana, pois não queria comentar antes da estréia nacional (aqui na Dinamarca estreou já tem duas semanas e meia). Com vocês, Capitão America: O soldado Invernal Não vou fazer segredo que sou um fã imenso do Cap – minha monografia foi sobre ele, para dar um exemplo – e não teria como fazer uma crítica imparcial do filme. E pelo estudo todo para a monografia posso afirmar que há um desconhecimento muito grande sobre o personagem, centrado naquela velha e batida ideia do Capitão America como “O campeão do imperialismo americano” e “o ícone do capitalismo”. Temi, em partes, que graças ao dom hollywoodiano para estragar boas coisas este terminasse como o abismal The Ultimates, de Mark Millar (que envolvia o Capitão America berrando “Desistir? Desistir?! […]

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Minorias nos comics: O negro genial, Mister Terrific (DC)

Pela segunda vez e nem de longe a última, vou tratar de minorias em comics – desta vez, um dos raros casos de super heróis negros, e ainda mais raros casos onde ele não é tribal, do gueto, “zangado”, ou um ex-criminoso. Com vocês Michael “Mister Terrific” Holt. De uma maneira geral, super heróis negros se encaixam em duas grandes categorias: o “negro zangado” – melhor representado pelo Power Man/Luke Cage, mas que também incluí a grande maioria dos heróis negros “de legado”, onde a principal característica é que ele é negro, está cansado disso e não vai mais aceitar essa palhaçada, enquanto o cúmulo disso é Rage, um personagem da Marvel que é… um Hulk negro, pobre, e com uma máscara de Luchador (nunca disse que as coisas faziam sentido). O outro é o “herói tribal”, onde a fonte dos poderes, o tema, e a origem do herói é “a África mais densa”, […]

Quadrinho vigilantismo
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A mente por trás do vigilantismo

O vigilantismo tem sido desde os primórdios um tema farto para histórias em quadrinhos; desde o mais popular super-herói de todos os tempos (Batman, pra quem não sabe) até casos cult como Rorschach, Questão e Senhor A passando por anti-vilões (para quem não sabe: o vilão com motivações que se passariam por nobres) como Comediante, Justiceiro, e o não muito criativamente nomeado Vigilante, o homem de mistério que faz a justiça com “esse que é irmão desse” passou por um grande numero de iterações – mas poucas parecem abordar de fato a mente… conturbada que levaria um cidadão “ordinário” a sair pelas ruas fantasiado “levando justiça” à sua própria maneira. E menos ainda fazem aquela perguntinha básica, mas importante… “isso é heroísmo?” Sim, o Batman é um personagem altamente complexo; sim, Rorschach (talvez um dos mais desenvolvidos personagens desse tipo em quadrinhos impressos) é uma figura imensamente perturbada, e que serviria de base para livros e mais […]

Capa, exemplo de minorias em quadrinhos
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Minorias em quadrinhos: Arnie Roth, o gay de meia idade.

Certo que a representatividade de minorias em quadrinhos, ou comics – o mainstream da arte sequencial americana – avançou muito desde o tempo em que negros eram mostrados como gollywogs e asiáticos eram “a ameaça amarela”, mas ainda temos algumas coisas ainda problemáticas nesse sentido… Ainda abundam os clichês (tipo o herói negro que é “tananan Negro”, ou o herói asiático que é um mestre de artes marciais), e predominam os heróis brancos-hetero-30-e-poucos-anos, acima de qualquer outro grupo, e  (quer prova? Me diga três heroínas negras da Marvel, que não a Tempestade). Mas as coisas estão mudando… e pra mostrar isso, um breve resgate de comics  que trabalharam minorias com gosto. Lembrando que estou falando de comics, não de graphic novels – que trataram disso de maneira muito mais aprofundada que as revistinhas, já tem algum tempo, por se tratar de um modelo menos comercial (e nem vou entrar aqui no underground). Isso vai ter […]

Sem imagem
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A pioneira, o projeto, e o processo.

E.C: Pioneira contra a discriminação Ainda uma década antes da “Casa das Ideias” lidar de maneira sutil com o tópico em seus X-Men, uma editora hoje já falecida abordava abertamente o racismo e a desigualdade social em seus quadrinhos – e de forma polêmica. Em março de 1953, a E.C. Comics publicava uma obra prima da arte sequencial: “Judgment Day”, de Al Feldstein e Joe Orlando. Uma história breve (apenas sete páginas) sobre um astronauta em visita à um planeta de robôs, onde a sociedade é dividida entre os robôs laranjas e os robôs azuis. Sem nenhuma diferença fora a pintura, os robôs azuis são dotados de menos direitos, vivém em condições inferiores à seus pares laranjas – em virtude da cor, recebem “educadores” piores, trabalhos degradantes e forçados a viver em favelas e cortiços. Lembrados de que nada os difere, a única resposta dada ao astronauta é “sempre foi assim” – o que faz com que, […]