Baú de Brinquedos: Os Transformers

Algum tempo atrás, eu falei das sublinhas de Transformers que marcaram a segunda metade dos anos 80. Na ocasião, eu disse que mais adiante eu faria um texto sobre as raízes de Transformers e a linha original. E bem, chegou a hora. Hora de falar dos mais bem sucedidos dos robôs-que-viram-coisas dos anos 80. E esclarecer alguns mitos sobre a linha que parecem perdurar tempo demais.

 

Um erro comum quanto a Transformers é achar que a Hasbro importe os brinquedos do Japão, e que a linha seja só o lançamento ocidental de uma série Japonesa. Enquanto é verdade (como veremos abaixo) que os moldes originais de Transformers pertenciam a linhas pré-existentes, a Hasbro fez muito mais do que meramente colocar eles em uma caixa nova. Partindo de um punhado de coleções japonesas que não deram certo no ocidente, a Hasbro, em parceria com a Marvel, criou todo um corpo de ficção novo – e que veio a suplantar as coleções de onde os bonecos antes sem identidades distintas surgiram.

 

 

Pré Transformers: DIA-CLONE!

 

A série mãe: Diaclone
A série mãe: Diaclone

Transformers tranquilamente tem uma das gêneses mais curiosas e “cara de pau” dos brinquedos dos anos 80. Enquanto outras franquias nasciam como conceitos “originais” (ou nem tanto), ou derivavam de filmes e seriados, Transformers teve seu nascimento de outra maneira: reaproveitando duas linhas de brinquedos da parceira comercial da Hasbro no Japão, a Takara.

 

As linhas eram Diaclone e Microchange, “descobertas” por representantes da Hasbro na Tokyo Toy Show de 1983. A primeira, de robôs gigantes que viravam veículos (uns futuristas, outros terrestres); a segunda, de robôs que viravam objetos “comuns” de casa, como toca-fitas, microscópios e armas. Informados das duas linhas, os vice presidentes de Pesquisa e Desenvolvimento da Hasbro, Henry Orenstein e George Dunsay rapidamente trataram de não apenas adquirir os direitos de ambas, mas de contratar escritores para unificar as linhas.

 

A Takara havia tentado duas vezes lançar Diaclone no mercado ocidental, sem sucesso, sob os nomes Diakron e Kronoform. Isso não impediu a Hasbro de adquirir a licença para distribuir os brinquedos nos EUA como uma nova linha: Transformers. A maior parte de Diaclone, composta por veículos “espaciais” e extraterrestres foi descartada: o foco era a linha Car Robot e suas sucessoras, robôs que viravam réplicas quase perfeitas de veículos de verdade. Iniciada em 1982 com uma Lamborghini Countach LP500S (que em breve se tornaria o autobot Sunstreaker), a linha era a primeira a contar com veículos realistas. Dela, sairam os Seekers (Starscream, Skywarp, Thundercracker e similares), Optimus Prime (do original Battle Convoy), Ultra Magnus (o único personagem original do filme a usar um molde pré-transformers, o Powered Convoy) e a maioria dos carros Autobots.

 

Transformers G1 Catalog - 1984
O catálogo original de Transformers

Microchange, por sua vez, como sua linha-mãe Microman, perigava o cancelamento. Desde 1982, a ficção de Microman se resumia a excertos de texto nos catálogos das lojas, e as vendas estavam despencando. Microchange fora introduzida em 1983 para reverter isso, sem sucesso. Enquanto Diaclone era então o carro chefe da Takara (que aceitou o acordo com a Hasbro na garantia de que os moldes “sérios” como Dia-Attacker e Waruderos não seriam usados), Microchange era um peso, e poucos de seus moldes foram parar na linha original de Transformers: os Mini Car Robos viraram os minibots como Bumblebee e Gears, os cassetes e Cassette Man viraram Soundwave e seus cassettes, Radi-Cassette Man virou Blaster, Micro Scope virou Perceptor, e o Gun-Robot Walter P-38 virou o vilão Megatron (sua versão “completa” baseada no seriado Agente da U.N.C.L.E. indo para o mercado ocidental, enquanto o Japão ficava com a versão “normal”).

 

Dessas duas linhas, a Hasbro começava a montar o que seria o gigante midiático de Transfomers. Mas ainda faltava algo para preencher as fileiras – e as prateleiras. De algumas sub-linhas de Diaclone, seriam puxados em 1985 os Dinobots, os Insecticons e Devastator – e no Japão, outro Combiner, o Train Robo, se juntaria aos Autobots em 87, como Raiden. Mas Diaclone não era o bastante…

 

Bebendo de outras linhas

 

Para dar mais volume a linha, a Hasbro adquiriu a licença de outros robôs transformáveis. Da mesma maneira que os robôs da Takara, essas figuras receberiam novos nomes e identidades, seus moldes sendo adquiridos pela Hasbro para produção fora do Japão. Ao contrário de linhas como Shogun Warriors (sucesso no final dos anos 70), esses não eram meros bonecos reaproveitados de linhas japonesas, mas personagens novos repensados para Transformers.

 

Uma das empresas mais “requisitadas” nesse sentido foi a extinta Takatoku: do seu catálogo surgiram personagens como Jetfire (do molde do Kanzei Henkei VF-1A da série Super Dimensional Fortress Macross – o que causaria problemas com a Bandai e a Harmony Gold mais tarde), Roadbuster (Mugen Calibur, da linha de Tokuso Kihei Dorvack), Whirl (Oberon Gazette, da mesma linha) e os Insecticons de luxo (Insect Batallion Beetras). Com a falência da Takatoku em 1984, os moldes passaram a Bandai, que os licenciou para a Hasbro no ocidente. No Japão, no entanto, a Takara não teve acesso a esses personagens (que não foram inclusos no desenho, salvo Jetfire, pesadamente alterado como Skyfire).

 

Transformes G1 Catalog 1985
O catálogo dos Autobots para o primeiro semestre de 1985: bebendo fartamente de outras linhas

Outra companhia que deixou sua marca foi a obscura Toybox, que licenciou os bonecos que virariam Omega Supreme (o Super Change Robo Mechabot-1, um dos robôs mais pirateados da história) e Sky Lynx (Dinosaur Robo). Por pertencerem a Toybox, não foram lançados como Transformers nas terras nipônicas até 2008, após a fusão da Takara com a Tomy: a Toybox não havia desenvolvido os dois robôs, mas terceirizado o serviço para a Tomy, detentora do design original.

 

A última empresa a fornecer designs para a linha nascente seria a ToyCo. Um único molde da companhia seria utilizado: o 4 Change Astro Magnum, que seria recolorido em roxo e lançado como Shockwave. Embora estivesse presente no primeiro episódio do desenho, Shockwave só chegaria aos mercados em 1985 – e a abundância de variações do Astro Magnum no mercado americano levaria a criação dos “Rubsigns”, adesivos termosensíveis que revelavam a facção (e a legitimidade) de um Transformer.

 

 

Budiansky, Marvel, e o inglês careca

 

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Uma capa que não representa de forma nenhuma o conteúdo.

Quem acompanha meus textos sobre linhas de brinquedos já deve ter notado isso, mas não custa repetir: dos anos 80 em diante, era essencial para uma linha de brinquedos ter um corpo de ficção e mídia associada a ela. Cientes disso, a Hasbro tratou de garantir um corpo sólido de ficção para Transformers, tarefa que ficou a cabo da Marvel Comics.

 

A ficção pré-existente de Diaclone não era viável para a nova linha. Diaclone tratava de robôs gigantes pilotados contra uma invasão alienígena, um cenário visto pela Hasbro como “genérico demais”. Enquanto isso, Microchange era sobre pequenos robôs que se escondiam entre objetos comuns para proteger a humanidade. O conceito era viável, mas precisava de mais trabalho.

 

O então editor chefe da Marvel, Jim Shooter, criou o primeiro conceito para a linha: duas raças de robôs extra-terrestres levavam sua guerra para a Terra, e se disfarçavam entre nossos veículos e apetrechos. Shooter rapidamente desistiu do projeto, passando a responsabilidade para Bob Budiansky, que tratou de aprimorar a proposta, dar nome aos personagens, e trocar o líder da facção maligna (os Decepticons) do robô que virava um jato (nomeado por Shooter de “Ulchtar” e rebatizado por Budiansky como Starscream) para o que virava uma arma. A lógica era simples: nada mais apropriado para o vilão do que se tornar um instrumento que servia apenas para trazer morte e destruição. Até o nome sugeria isso: Megatron, derivado de Megaton, como na potência de uma arma nuclear.

 

Budiansky
O pai dos Transformers, Bob Budiansky

Algumas ideias não ficaram (Budiansky queria uma médica na equipe dos Autobots. A Hasbro rejeitou a ideia, e a médica virou o médico Ratchet – o nome vem da enfermeira de Um Estranho no Ninho), mas Budiansky estabeleceu algumas das regras centrais para personagens novos de Transformers: seus nomes deveriam ser descritivos de quem eles são e o que fazem, como nomes de um super herói (diferente do que Shooter tinha em mente, com nomes “alienígenas”), suas personalidades deveriam ser claras e bem definidas, e eles tinham que ter algum “extra” que os destacasse, seja em termos de poder ou de personalidade.

 

Budiansky foi o primeiro dos editores de Transformers, abrindo o quadrinho com uma minissérie de 4 edições entre maio e setembro de 1984, escrita por Bill Mantlo, (sob medida para “encerrar” a série caso ela fracassasse) apresentando os personagens e mostrando como os Autobots e os Decepticons chegaram a Terra. É um dos quadrinhos mais verborrágicos e entupidos de personagens já feitos, com 28 robôs sendo introduzidos e explicando seus poderes em apenas quatro páginas. O quadrinho era obviamente feito para vender brinquedos, e a presença e o nível de poder de personagens estava diretamente ligado a se eles tinham ou não brinquedos nas prateleiras.

 

Quatro páginas seguidas disso.
Quatro páginas seguidas disso.

Para a identificação dos leitores, os Autobots faziam amizade com um garoto, Buster Witwicky, o primeiro de muitos personagens humanos introduzidos na série. Além dele destacavam se o empresário G.B. Blackrock – basicamente, um Tony Stark de pobre; a engenheira Sophie Beller, posteriormente a super heroína/supervilã Circuitbreaker; o escritor metido a supervilão Donie Finkleberg e a namorada de Buster, Jesse.

 

O reino de Budiansky como roteirista durou até o número 55, em 1989, mas no Reino Unido, nas estórias extras feitas para fechar o número de páginas da publicação inglesa, outro roteirista deixou sua marca: Simon Furman. Se Budiansky criou Transformers, Furman foi quem moldou a massa primordial. Grande parte da ficção de Transformers ou veio, ou passou pelas mãos do careca britânico, que assumiu os quadrinhos americanos depois de quatro anos escrevendo a versão inglesa, em 1989. O estilo peculiar de Furman até tem um apelido entre os fãs: Furmanismos, dada a repetição de certas construções frasais em suas histórias.

 

Furman deixou grandes contribuições para o mythos de Transformers: são dele noções como a dualidade entre Primus e Unicron, a existência de um “deus dos Transformers”, grande  parte da caracterização dos personagens dos anos tardios da franquia, personagens como o “agente de pacificação freelance” Death’s Head (que ficou com a Marvel) e especialmente o Autobot detetive Nightbeat.  

 

Death's Head: um dos muitos personagens de Transformers tomados pela Marvel
Death’s Head: um dos muitos personagens de Transformers tomados pela Marvel

 

Não, não é anime: entra a Sunbow

 

A ficção de Transformers não se resumiu aos quadrinhos. Ciente do poder publicitário da animação dos sábados de manhã, a Griffin Bacal, agência publicitária da qual a Hasbro era cliente, mantinha seu próprio estúdio de animação, a Sunbow Productions. Sua única finalidade era facilitar a produção de peças publicitárias “disfarçadas” para seus clientes. Transformers não era exceção.  

 

A agência já havia tido um papel central na criação de Transformers: foi a Griffin Bacal que definiu os logos dos Autobots e Decepticons (baseados nas cabeças dos bonecos Prowl e Soundwave) e que sugeriu fazer dos robôs os personagens principais. Também foi a agência que organizou o contrato com a Marvel para definir a ficção de Transformers. Mais importante, Jay Bacal, filho de um dos fundadores da Agência, foi quem sugeriu o auto descritivo título Transformers. Mas através da Sunbow, ela teria um papel ainda maior: o de firmar a incrível história dos Autobots e Decepticons nas mentes de uma geração.

 

Megatron, sentado na cadeira de Lincoln. Não, lógica não era o forte de G1.
Megatron, sentado na cadeira de Lincoln. Não, lógica não era o forte de G1.

Jay Bacal foi designado como diretor criativo da série animada. A animação em si ficou inicialmente a cabo de um estúdio japonês: a Toei. Ao todo, The Transformers teve 94 episódios, ao longo de 4 temporadas. O “periodo inicial” contempla as duas primeiras. A exceção das três minisséries (More Than Meets the Eye na primeira temporada, The Five Faces of Darkness na terceira e The Rebirth na quarta), o desenho seguia as mesmas regras de outros desenhos matinais da época: a continuidade era nula, as tramas eram o mais simples o possível, e ninguém jamais aprendia qualquer coisa além das fronteiras daquele episódio. Isso vinha como resultado da ausência de uma sala de redação na produção da série: roteiristas tinham pouco contato entre si, e ninguém pensava em continuidade de qualquer tipo.

 

Ainda assim, The Transformers se destacava entre seus pares, em grande parte pela dedicação dos dubladores Frank Welker (Megatron) e Peter Cullen (Optimus Prime, Ironhide). O elenco era composto por grandes nomes da dublagem à época, como John Moschita (Blurr), Greg Berger (Grimlock) e o imperdível Chris Latta (Starscream). A equipe de dublagem estava em grande parte presente também na concorrente, Challenge of the Go-Bots, da Hannah Barbera. No lugar de Buster, a série tinha outro Witwicky como personagem de ponto de vista, o jovem Spike, juntamente com seus amigos Carly e Chip Chase. Quase nenhum dos personagens humanos do quadrinho apareceu no desenho. Do lado dos ‘cons, havia outro humano recorrente, o Doutor Arkeville. A esse conjunto se unia o personagem recorrente da Sunbow Hector Ramirez, o que sugeria que Transformers dividia um universo com G.I. Joe e Inumanóides.

 

As tramas eram simples, os planos absurdos, a resolução previsível: em suma, um desenho dos anos 80.
As tramas eram simples, os planos absurdos, a resolução previsível: em suma, um desenho dos anos 80.

A serie não foi imune a controvérsias: Problemas discursivos entre roteiristas roteiristas e o dublador Casey Kazem (o Salsicha original) resultaram na saída do lendário radialista. Kazem saiu da série entre a segunda e a terceira temporada em resposta ao ridiculamente ofensivo episódio Thief in the Night, passado no Oriente Médio,  contanto com “piadas” como uma nação chamada “República Socialista Federalista Democrática da Carbombya” (governada pelo Comandante Militar Supremo, Rei dos Reis e Presidente Vitalício Abdul Fakkhadi) e placas indicando a população de camelos da capital. O ator libanes pediu por uma representação mais positiva de árabes, pedido que a Sunbow atendeu com mais “piadas” depreciando a etnia.

 

Diaclone morre. Longa vida a Transformers

 

Em 1985, a linha americana passou a ser distribuída no Japão pela Takara, com imenso sucesso – sucesso tamanho que a Takara decidiu cancelar Diaclone completamente, substituindo-a por Tatakae! Chou Seimentai Transformers (Lute! Super Forma de vida mecânica Transformers).

 

Transformers G1 Catalog 1986
Catálogo de 1986, dando destaque aos combiners.

A ocasião do cancelamento, a Takara trabalhava em mais uma sub-linha para Diaclone, Jizai Gattai (Combinação Livre), que foi imediatamente incorporada a Transformers na forma das “equipes especiais” (Protectobots, Combaticons, Stunticons e Aerialbots) e dos Citybots (Metroplex e Trypticon). Os resquícios de Jizai Gattai foram o cerne da linha de Transformers para 1985 e 1986, e as equipes de combinação surgidas nessa primeira onda de combiners continuam sendo as mais lembradas; a linha de 2015, Combiner Wars, focou em atualizar os designs dessa era em particular.  Junto com eles, entravam também os primeiros Triple Changers, com duas formas alternativas: Blitzwing (tanque/jato), Astrotrain (ônibus espacial/locomotiva) e Octane (caminhão/jumbo)

 

Transformers foi um sucesso imediato no Japão, durando até 1991 (com a curta linha Operation Combination), e a Takara reaproveitou alguns lançamentos de Micro Change e Diaclone não utilizados pela Hasbro para “ampliar” a linha no Japão (e compensar os bonecos que não podia lançar), convertendo um conjunto de trens no autobot Raiden, e um molde cogitado para Megatron no diminuto decepticon Browning.

 

Scramble City: uma tentativa frustrada de tapar buracos
Scramble City: uma tentativa frustrada de tapar buracos

Em 1986, a ficção japonesa e americana de Transformers começaram a divergir. No aguardo por uma quarta temporada de Transformers, os nipônicos fizeram sua própria série,  The Head masters,  que deu início a sua própria microcontinuidade, tentando “tapar os buracos” entre a segunda e a terceira temporada da série, juntamente com o OVA Scramble City. Mas no ocidente, essa transição se deu por outra maneira..

 

O fim de uma era: Transformers the Movie

 

Transformers-movieposter-westEm meados de 1985, a parceria entre Hasbro e Takara havia esgotado os moldes de Diaclone e Microman. Mesmo com o reaproveitamento de linhas originalmente pensadas para as séries canceladas, chegava a hora de pensar em bonecos especificamente para Transformers. O trabalho de projetar os novos bonecos – e personagens – caiu nas mãos do diretor de design da Sunbow, o filipino Floro Dery.

 

O estilo peculiar de Dery já foi discutido no meu texto sobre Headmasters. Com uma nova linha a caminho, Hasbro, Sunbow e Marvel trataram de garantir o sucesso da nova coleção da forma mais cínica o possível: com um filme para promover os novos brinquedos. Dirigido pelo coreano Nelson Shin, Transformers The Movie existia com o único propósito de vender brinquedos. E fez isso de forma cínica. Não mais passado nos anos 80, a trama apocalíptica botava os Autobots e os Decepticons novamente lutando pelo controle de Cybertron no distante ano… 2005. Após um ataque brutal a Cidade dos Autobots na Terra tirar a vida de Optimus Prime, Cybertron se vê sob o ataque de um inimigo desconhecido – o planeta errante Unicron.

 

O roteiro, escrito as pressas por Ron Friedman e “corrigido” por Flint Dille introduziu novos elementos a “mitologia” de Transformers – em particular, a Matriz de Liderança de Cybertron e o Transformer gigante Unicron (dublado aqui pela lenda do cinema Orson Welles). Mas mais importante que isso, o filme tratou de graficamente e brutalmente matar praticamente todo o elenco original da série. Sobreviviam dos bonecos de 1984 apenas Jazz, Cliffjumper (esses dois tirados da série por motivos distintos), Soundwave e Bumblebee. O resto? Mortos ou reformatados.

 

Erroneamente chamada por alguns fãs de Geração 2 (o termo se refere a série e coleção de Transformers do começo dos anos 90), uma nova era de Transformers começava, com novos personagens, um novo estilo, e bonecos muito diferentes. Sobre parte dessa era, eu já falei no texto sobre os -Masters.

 

A transição entre o filme e a terceira temporada da série mudou tudo: antes as aventuras eram na terra, primariamente no centro-oeste americano, agora eram no espaço. Antes os veículos eram normais, agora tinha-se carros futuristas, naves espaciais e picapes sem tampa traseira. Spike e Carly saiam de cena para dar lugar a seu filho Daniel. Optimus Prime dava lugar a Rodimus Prime e o sinistro Megatron se tornava o maníaco Galvatron. A ligação entre Transformers e os outros desenhos da Sunbow foi reforçada: um episódio trazia o Comandante Cobra como vilão, e uma personagem nova, Marissa Faireborn, era filha de dois Joes, Flint e Lady Jaye.

 

De uma série sobre robôs levando sua guerra para as planícies dos EUA, Transformers virava uma ópera espacial. A primeira de muitas mudanças pelas quais a franquia passaria pelos anos, antes de voltar as raízes de forma conturbada no fim da primeira década do século XXI. Sobre essas mudanças, falaremos em outra ocasião.

 

 

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Mestre em Jornalismo de guerra e conflito pelas universidades de Swansea e Aarhus. Tradutor de literatura indie, colecionador de brinquedos, leitor de quadrinhos e fc que ninguém conhece. Mestre das obscuridades.

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