Todxs, todos, todas – Questões de gênero na linguagem

Tenho visto por aí, o uso cada vez mais frequente de uma forma de comunicação que suprime ou tenta não definir os gêneros. Algo como “Todxs xs interessadxs” e isso tem me chamado a atenção. Nunca tinha parado para pensar sobre esse fenômeno, mas recentemente o debate sobre gêneros veio à tona por outras vias e quero tecer meu ponto de vista sobre este assunto em específico. Antes de continuar a ler, recomendo a quem não esteja familiarizado com a discussão que leia meu artigo sobre sexualidade, que pode ser esclarecedor neste sentido. Primeiramente é importante deixar claro que a língua é uma entidade viva, mutante, que a todo o momento adquire novas expressões. Não é algo que está pronto e terminado ou algo que é estático. Nós estamos frequentemente criando linguagem, colocando em uso novos verbetes, utilizando-a para expressar nossos pensamentos. A língua é uma ferramenta ao pensamento, pois sem as palavras […]

A cultura em Joinville: Uma questão de orçamento?

Depois de ler a entrevista que o presidente da Fundação Cultural e vice-prefeito, Rodrigo Coelho, concedeu ao ANotícia, pude pensar em algumas questões sobre a problemática cultural da cidade. Quero compartilha-las aqui de modo a provocar algumas reflexões nas pessoas envolvidas na produção e na gestão cultural do município Em minha leitura, o que mais me chamou a atenção é o fato de que não foi uma entrevista sobre a cultura, mas sim sobre gestão de recursos financeiros da FCJ. Sinceramente, minha expectativa ao lê-la foi totalmente frustrada, pois se falou muito sobre quanto e onde será investido, mas em pouquíssimos momentos o porque é importante o investimento. Não culpo o Rodrigo por isso, acho que a entrevista foi conduzida de forma a dar pouco ou nenhum espaço para se falar desta temática. Porém, não sejamos ingênuos, há uma intencionalidade evidente. Não é atoa que justamente agora, em meio ao debate sobre o futuro da gestão […]

Grafitti, uma das expressões do Rap em Joinville

O Rap em Joinville

Durante a escrita dos artigos sobre a cena musical da cidade (parte 1 e parte 2), senti falta da presença do rap. Sempre soube que a cena devia ser muito forte, pois é extraordinária a produção de grafites na cidade, logo, imaginei que talvez essa galera estivesse por ai em algum lugar. Não só me surpreendi com o que encontrei, como achei uma cena bem mais coesa e articulada do que esperava. Confiram um pouco do que encontrei durante essa empreitada pelo rap em Joinville: Quinta Dose Essa rapaziada da zona leste faz um rap de altíssima qualidade, me impressiona muito a profundidade das letras, densas, com rimas e sacadas muito boas. Confesso que não consigo parar de ouvir. Não se enganem,  Darlan, Jadiel, Jonathan, Patrick, Rodrigo, Thiago e André, fazem poesia e ritmo de fazer inveja a qualquer um. Hailom Bruno Gostei muito do trabalho desse cara, principalmente o uso do sample […]

A Arte da Rotulação

Ao longo da vida sempre recebi muitos rótulos, e, até certo tempo atrás, ainda me deixava ser afetado por isso fortemente. Não compreendia exatamente qual o significado disto, desta necessidade de definir que as pessoas tinham para com a minha existência. Muitas vezes tomei esses rótulos para mim, como se fossem elaborações e conclusões minhas, produtos de um processo de vida singular, sem me dar conta que eles não me pertenciam. Só comecei a questioná-los quando notei a crescente rotulação de conceitos antagônicos que me cercavam. Daí em diante, a rotulação caiu em contradição, já não havia mais como vê-la com um norte a  ser seguido. Assim mesmo, continuei a me questionar: Do que se trata essa necessidade de rotular? Não cheguei a uma resposta definitiva, mas imaginei uma alegoria para tentar solucionar essa questão, um mercado. Os rótulos vendem os produtos e agregam um valor. Não seria isso que fazemos socialmente? Rotulamos, definimos quais […]

Capa - Democratização da Mídia
Colunas

Democratização da Mídia – NÃO ENTRE EM PÂNICO #27

Algumas reflexões sobre a Democratização da Mídia Pensando sobre nosso país, acho um tanto quanto curioso o fato de que, depois de 30 anos do final da ditadura, ainda não tenhamos a noção de que o acesso aos meios de comunicação é um direito e não um produto. Se pensarmos bem, os militares, na época da ditadura tinham essa noção muito bem esclarecida, uma vez que estabeleceram a censura como uma das principais formas de regulação social. Nenhuma novidade até ai, já que esse modus operandi é bastante comum a qualquer regime ditatorial. Contudo, o que me inquieta é como essa noção foi perdida ao longo das décadas que se sucederam, ao ponto que hoje, a discussão sobre a Democratização da Mídia tenha ganhado uma aura nefasta que remete a ideia de o estado quer manipular aquilo que se veicula no país. Primeiramente é interessante lembrar que o estado já regula uma série de […]

Conhecimento é o pesadelo dos corruPTos?

Sei muito bem o tipo de reação que vou enfrentar publicando este texto. Mas o ato de falar é libertador. Que venham as críticas, as ofensas e as ameaças. Que venham os reacionários de plantão, os saudosos da ditadura, e os disseminadores de ódio. Esse texto também é para vocês. Quero tecer algumas considerações sobre esse suposto movimento contra a corrupção, que pede o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Primeiramente, quero dizer que não sou petista. Esse é um rótulo que geralmente colam em mim por tentar dialogar com pessoas que tratam a questão política brasileira com superficialidade. Detesto decepcionar vocês, mas política não diz respeito à dicotomias como à esquerda e à direita, ou aos partidos que apoiam o PT e aos que fazem oposição a ele. Longe disso, política é um tema muito mais amplo que partidos e alinhamentos. Não estou aqui para discutir isso, só quero deixar claro que tenho muitas críticas ao PT […]

A cena musical de Joinville – Parte 2

Na parte 2 desta série, continuo desbravando a cena musical de nossa pacata e aparentemente silenciosa cidade. Pra quem ainda não conferiu a parte 1 desta odisseia sonora, fica o link pra conferirem. Sylverdale Uma banda que já está ai na estrada desde 2003,  Hesséx, Juninho, Helder e Felipe Harger fazem um som muito consistente. Eles tem um trabalho autoral muito forte e todas as suas músicas tem um nível de qualidade muito bom. Cantam tanto em inglês como em português. Particularmente, gostei mais das composições em português, que tem letras muito boas. Simples, mas muito boas. Essa faixa no entanto, se destaca, tem uma letra muito interessante:   Da Lou Louise Cristina, essa carioca de coração Joinvilense, ou simplesmente Da Lou, arrebenta com sua voz única. Cantora excepcional, faz covers de artistas consegrados com muita competência e qualidade. Chamou a atenção do mainstream e participou do projeto fábrica de sonhos de […]

Grafitti - Arte de rua em Joinville

Arte de rua em Joinville

Essas são algumas representações que tenho da Arte de rua em Joinville. Não sou nenhum especialista em cultura de rua, somente um apreciador e contemplador do cotidiano que me cerca. Porém posso dizer que este tipo de arte me toca de maneira diferenciada. Os muros da cidade gritam em meio a silenciosa cidade de Joinville… Esse é um dos pensamentos que me vem a cabeça toda vez que transito pela cidade e tenho o privilégio de perceber o surgimento de uma nova irrupção de arte urbana. Cada intervenção dessas me dá a sensação de que a cidade é um organismo vivo, mutável, que se expressa de maneira muito singular e intensa. Há algum tempo atrás, estive registrando algumas dessas experiências, de repentinamente me deparar com grafites incríveis ali expostos em plena cidade, sem cobrar ingresso pelo privilégio de contemplá-los. Me senti como alguém que anda por uma galeria de arte a céu aberto, […]

A cena musical de Joinville – Parte 1

Apesar do aparente silêncio cultural, nossa cidade está em plena eferverscência sonora e muita coisa é produzida pela galera de Joinville. Pensando nisso e levando em conta que temos tanta produção musical, mas tão pouco divulgação dela, decidi compartilhar com vocês um pouco do que encontrei pesquisando sobre a cena musical de nossa cidade. Obviamente que são muitas bandas e artistas, por isso, dividi meus achados em uma série de artigos, apresento os primeiros resultados dessa catada. Tenho certeza que essa galera vai surpreender vocês: Clube Las Vegas Começo por uma banda instrumental chamada Clube Las Vegas, formada por Sergio Paralelo, Stenio Souza e Israel Rolim. Som dos caras é incrível para ser ouvido naqueles dias chuvosos e nos momentos tristes de nossas vidas joinvilenses. Recomendo o álbum todo, disponível no site da banda: Clube Las Vegas (2013) by Clube Las Vegas Sexy Pearl A banda formada por  Marcos Buschmann, Stumm, Fernando Ferreira, […]

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NÃO ENTRE EM PÂNICO #26 – Sonhos

Dilemas, enigmas, paradoxos… São parte de minha rotina atualmente. Escolhas nada óbvias, onde não se escolhe entre perder ou ganhar, só entre perder isso ou aquilo, e nem se tem muita certeza de que realmente só isso ou só aquilo será perdido. Não há outras hipóteses possíveis: Ou estou acertando muito e indo por um bom caminho, ou estou indo direto para o buraco. Não existe um caminho do meio. Como posso saber disso? Na verdade não sei, só sinto que é isso. Um vez sonhei que estava em uma prisão muito grande, que ficava enterrada sob a terra. De dentro dela eu podia ver a luz do dia brilhando por um pequeno buraco no teto da construção. Eu tinha que conseguir fugir de lá, e por algum motivo irracional, decidi fazer isso indo cada vez mais para o fundo da construção. Mesmo a luz estando ali o tempo tudo, eu queria ir […]

Resquícios da Ditadura Militar em Joinville

Minha sensação é de que, cada vez mais, esse fantasma volta a nos rondar. A Ditadura Militar ou a Intervenção Militar no Brasil certamente é um dos temas que mais aparecem nas discussões políticas atuais. Seja mascarada ou explicitamente, o fato é que, esse passado tenebroso da história se faz presente atualmente. Não tenho envergadura em conhecimento histórico para fazer uma análise sobre os motivos que levam esse fenômeno a retornar ao cotidiano político atual. Mas pelo pouco que sei, consigo ter discernimento necessário para ficar extremamente preocupado com isso. A ditadura atualmente parece se manifestar como uma espécie de Síndrome de Estocolmo das massas. As pessoas atribuem as dificuldades de um processo democrático, ou de outras fontes, à ausência da ditadura e  glamorizam o período. Criam uma fantasia de um passado glorioso do país e se agarram a isso de forma totalmente irracional. Fazem associações extremamente absurdas e não se dão conta do […]

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NÃO ENTRE EM PÂNICO #25 – Suzane Von Richthofen

Recentemente vi uma matéria que falava de uma possível adaptação da história do assassinato do casal Richthofen para o cinema. Foi um verdadeiro frisson na internet. As pessoas acharam um absurdo retratar a história tão macabra como esta. Eu particularmente gostei muito da notícia. Acho muito interessante a história do caso e de como foi solucionado. Além disso, mais recentemente ainda, Suzane deu uma entrevista para Gugu Liberato na Record. Portanto acho que está na hora de falar um pouco sobre esse caso tão icônico. Algum tempo depois dos assassinatos, lembro de ter lido o excelente livro de Ilana Casoy “O quinto mandamento”, que conta como foi o processo de perícia do caso e de como ele foi solucionado. Usarei os relatos deste livro, e o que observei da entrevista com o Gugu para tecer alguns comentários sobre Suzane. Não serei conclusivo em nada, apenas vou levantar alguns questionamentos. Que o crime foi […]

Capa Birdman - Não entre em Pânico
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Super-Heróis e Birdman – NÃO ENTRE EM PÂNICO #24

Depois de assistir Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância, 2015), uma reflexão antiga me veio à tona novamente: Qual é a necessidade de termos tantos super-heróis na cultura contemporânea? Estamos em uma época em que o cinema virou o grande palco da atuação desses esteriótipos. Antes disso nas HQs a cultura dos super-heróis já era bem forte. Falarei aqui um pouco disto, considerando esse universo algo do âmbito do masculino. Enxergo os super-heróis como uma mitologia contemporânea. Eles são o que todo homem queria ser, pois tem todos os atributos valorizados pela nossa cultura, são fortes, inteligentes, íntegros, singulares, se sacrificam em nome de uma causa. Tem habilidades especiais únicas que os diferenciam de todo o resto da população. Ao mesmo tempo, tem que disfarçar isso tudo, se camuflar na multidão, serem normais, pois ao mesmo tempo que nossa cultura valoriza todos essas insígnias de poder, ela também repreende a satisfação de […]

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NÃO ENTRE EM PÂNICO #23 – Darren Aronofsky

Continuando a série de artigos sobre diretores de cinema, na qual eu falei anteriormente sobre Christopher Nolan, agora é a vez de Darren Aronofsky. Selecionei três filmes dele para tecer minhas considerações sobre seu modo de fazer cinema: π (1998), Réquiem para um Sonho (2000) e Cisne Negro (2010). Aronofsky faz filmes sobre a mente humana, para ser mais preciso, sobre a mente humana em situações extremas. Pessoas que estão se mantendo como podem na realidade, pois estão a beira de um colapso, são personagens recorrentes em suas tramas. O diretor retrata sempre o processo de enlouquecimento desses personagens de uma maneira muito interessante. Sequências de cortes rápidos e abruptos de imagens, acompanhados por uma trilha sonora sempre marcante são, no meu entendimento, sua forma de mostrar como vê o funcionamento desses personagens, fluxos contínuos de imagens aparentemente sem sentido, com uma aura megalomaníaca retratada pela música.   π (1998) π, ou Pi, é um filme […]