O selo Dream Catalogue em 2016 e o vaporwave como arte conceitual da pós-internet

Teorizar o que de fato seria o vaporwave, como forma de expressão artística, é um tanto difícil, simplesmente por ser algo da pós-internet e com os seus criadores tendo visões tão díspares sobre a proposta do movimento. Seu ponto-chave é a reciclagem estética e uma nostalgia subjetiva, onde a parte gráfica é tão fundamental quanto a música apresentada. O uso de estilos musicais comerciais (como o pop e o R&B) de maneira sampleada se une aos visuais 8-bit, com imagens de softwares antigos, glitches caóticos e referências a grandes marcas ícones do capitalismo. O (hiper)contexto em que esses elementos são expostos também faz com que o vaporwave seja uma crítica à sociedade consumista, buscando desvirtuar os elementos tradicionais da indústria, citados acima, a fim de gerar um conflito na mente do receptor – como se essa relação aleatória fosse uma overdose imaginária nunca antes sentida. Essa junção de simbologias pode ser vista […]

Cyberpunk, distopia e sintetizadores: o clima retrofuturista do Perturbator

“High tech, Low life”, essa é a principal descrição de um ambiente cyberpunk. As realidades distópicas surgidas nesse subgênero de ficção científica podem ser descritas como lugares controlados por tecnologias da informação, num ambiente de dominação ou destruição da sociedade, além da revolta de seus cidadãos e da degradação do estilo de vida. As sociedades são marginalizadas em sistemas avançados culturalmente, mas o povo é controlado por um governo opressivo, uma religião fundamentalista, um computador ou sistema dominador, ou um conjunto de corporações. Baseando nessa estética, surge nos anos 2000 o synthwave (ou retrowave); buscando uma ligação entre referências como o filme Blood Runner e as composições de John Carpenter,  Goblin e Tangerine Dream, porém, carregadas de características clichês oitentistas (vocal com reveb, sintetizadores analógicos extremamente nítidos e bateria eletrônica pulsante). Alguns nomes tem já destaque nessa “cena” – tal como Gost e Carpenter Brut -, mas é Perturbator (pseudônimo do francês James Kent) […]

A metamorfose dos lobos: uma playlist para entender a pluralidade musical do Ulver

Ulver é uma palavra em norueguês que significa “lobo”. E esse nome soa bastante apropriado, pois, assim como o mamífero, a banda sempre buscou desafiar-se a abandonar qualquer segurança para seguir por trilhas novas e escuras. Em 1992, o jovem Kristoffer “Garm” Rygg, então com 15 anos, iniciava a banda que rapidamente assumiria posição de destaque entre o então efervescente e vanguardista black metal norueguês. Esse destaque surgiu logo com a demo Vargnatt e o debut Bergtatt, trazendo passagens melódicas acústicas que contrastavam com o som extremo – sendo assim, ao lado do Burzum e seu Hvis lyset tar oss, pioneira no que conheemos hoje como post-black metal. Logo em seguida, seriam lançados o totalmente folk Kveldsjanger e o clássico Nattens Madrigal, propositalmente de baixa qualidade (apesar da banda ter recebido uma boa quantidade de dinheiro após ter assinado um acordo com a Century Media Records). Porém, a primeira mudança drástica ocorreria no ano posterior (1998), após a entrada do […]