Música

De Joinville, Hailom Bruno traz um rap sem firulas em Alvo de Mudança

O Coletivo Metranca destacou a tempos o quanto a cena do rap joinvilense é ativa e forte (leia aqui). E claro, isso não possui e nem necessita de qualquer apoio superior para continuar existindo; o rap é uma maneira de se expressar totalmente autêntica e que carrega o DIY (“faça você mesmo”), pois cresce naturalmente na mente de cada um que é influenciado por ele para que essa gana se transforme em rimas e atinja ainda mais pessoas. Hailom Bruno está entre esses nomes que se inclui no movimento do rap joinvilense. Na ativa desde 2004, no qual esteve entre os membros do grupo Impacto da Rima, também fundou, em 2005, o coletivo artístico Ramal 047 – responsável por apoiar, produzir e divulgar a cultura de rua na nossa cidade. De lá pra cá, Hailom esteve sempre envolvido na cena, e até lecionou aulas onde o próprio dividia a sua experiência na […]

Coberturas Fotográficas

Emoção e senso de realidade aflorados no show do Síntese em Joinville

Se tem uma forma de cultura que permanece marginalizada e totalmente restrita ao underground em Joinville, isto com certeza é o rap. Historicamente, o rap sempre fez parte da cultura das ruas, servindo como arma de resistência, voz para quem mais precisa ser ouvido e ferramenta conscientizadora para todos – e é exatamente por isso que aquele rapper que demonstrou apoio ao Bolsonaro, em suas letras, mereceu total repúdio possível (nem tenho que explicar melhor o porquê, né?). Mas o que é necessário destacar é que essa chama permanece viva, apesar de nem sempre ser tão clara aqui em nossa cidade; graças, principalmente, a batalhas de duplas que acontecem no bairro Guanabara, no Centro (praça Nereu Ramos) e no Jardim Paraíso (na Lanchonete do Mano), geralmente organizadas pelos grupos Batalha de Paraíso e Ramal 047. Falando no Ramal 047, foram exatamente eles os responsáveis por pela vinda de Síntese (o projeto do […]

Barulho Novo

Programa Barulho Novo #1

Confiram a primeira edição do programa Barulho Novo #01, feito por Giovanni Cabral. Set do programa: Clan dos Mortos Cicatriz – Palma Lisa Rata Negra – Escucha como suena Kiko Dinucci – vazio da morte Code Orange – Kill the Creator Tantão e os Fita – Espectro COCAINEJESUS – shawty do not look in my eyes for all u will see is despair and cosby show re-runs Dead Limbs – Echoes of Yore Blanck Mass – Eas Fors / Naked

Coberturas Fotográficas

A primeira e pesada edição do Brutal Fest

Assim como o Metal Joinville, que aconteceu a poucos meses atrás, nossa cidade voltou a receber um festival cujo foco são bandas de som pesado e rápido; trazendo um público local e de lugares como Jaraguá, Itajaí e Curitiba. A primeira edição do Brutal Fest aconteceu no Delinquent’s Bar e foi organizada por Edson Souza (guitarrista das bandas Retaliate e Zombie Cookbook), com o apoio de Tiago Kostetzer (dono do estabelecimento), e ocorreu nos dias 17 e 18 deste mês de junho. Importante destacar: não foi cobrado qualquer valor para entrar e prestigiar as bandas em cada noite, e temos certeza que houve uma camaradagem e compreensão das atrações com a proposta da organização para que o evento rolasse perfeitamente. Vale ressaltar a variedade sonora dos nomes que se apresentaram, levando em conta a ideia do festival, indo do pornogrind, da banda Anal Vomitation, ao viking metal, da Red Sunlight. Claro, a […]

Cinema

La Danza de la Realidad: um encontro de si mesmo na cinebiografia de Jodorowsky

Eu acho fascinante a maneira como o cinema pode servir na exploração do nosso próprio ser, por estímulos audiovisuais nunca imaginados anteriormente. Não pela sua técnica, mas pelo seu conteúdo, sua temática e daquilo que se desperta, através das emoções, em cada um de seus espectadores. Fico extremamente feliz quando um filme tem esse efeito em mim, e vou deixar abaixo uma breve descrição sobre ele, para algum leitor do Metranca se interessar e talvez sinta algo semelhante após vê-lo Alejandro Jodorowsky é um diretor que ficou marcado por uma linguagem única e intensa, buscando (e encontrando) um elo entre o onírico, o poético e o surreal. Desta fusão surgiram obras que mexeram com figuras que vão de David Lynch à John Lennon, que inclui Fando y Lis (1968), El Topo (1970) e A Montanha Sagrada (1973). Entre o que o se torna único nos elementos visuais que ele aborda, costuma ser […]

Artes Visuais

Videoinstalação no Sesc encara as relações sobre a fragmentação da paisagem

Organizada pelo artista Tirotti, a exposição “Partilha da Imagem” busca uma reinterpretação do visitante com a forma de enxergar e absorver imagens – ou até estar em estado de “imersão” perante a isso, como o o release do evento descreve. Essa reinterpretação de imagens se dá através do recorte de partes das três videoinstalações – Movimento Vazio, Movimento Quieto e Movimento Aprisionado – e cada qual é suspensa e sobre-exposta na obra original, gerando assim um estímulo cognitivo para descobrir detalhes sobre aquilo que está sendo observado. Exposição “Partilha da Imagem”, de Tirotti (Joinville/SC) Visitação: 12/05 a 30/06, de segunda a sexta das 8h às 20h Local: Galeria de Arte do Sesc. Rua Itaiópolis, 470 – América Entrada gratuita

Destaques

Casa do Adalto necessita urgentemente de doações para continuar seu funcionamento

Sem qualquer auxílio governamental ou privado, a Associação Casa do Adalto, que presta apoio à crianças e adolescentes com neoplasia, sofre com sérios problemas financeiros para se manter em atividade. A casa presta apoio as dificuldades encontradas pela família da criança e/ou adolescente durante a fase de tratamento hematológico e oncológico; e isto inclui acompanhamento pedagógico, encaminhamento à profissionais de psicologia e oftalmologia, além de ajuda nutricional através de cestas básicas e leite as famílias, e doação de perucas para as crianças em tratamento quimioterápico. Hoje, a instituição sobrevive apenas através da contribuição espontânea mensal de pessoas que apoiam a causa e da colaboração em pedágios. O valor para suprir as despesas, por mês, gira em torno de R$ 10 mil (segundo Fabíola Martins, filha de Noeli Tersinha Chagas, fundadora da entidade). Caso haja o interesse em conhecer a Casa do Adalto, doar alimentos ou cabelos cortados para a construção de perucas, […]

Trajeto Alternativo

Uma lista com as 14 melhores capas de álbuns de 2016

Sem maiores delongas, o meu objetivo com este post é trazer as imagens, relacionadas a lançamentos musicais, que mexeram comigo de alguma maneira em 2016, um ano extremamente frutífero neste aspecto. Foi usada apenas duas regras para a colocação de cada álbum (além do fato de ter me sentido atraído pela capa): ter ouvido o álbum e ter gostado dele, sem haver necessariamente uma ligação ou semelhança conceitual entre cada qual.   Baptism – The Devil’s Fire O Baptism, da finlândia, soa melódico e ao mesmo tempo bruto, feroz & atmosférico. Pode não ser o melhor álbum de black metal lançado em 2016, mas consegue seguir a cartilha de riffs em tremolo e bateria rápida sem que isso o torne uma mera aglutinação clichê de sons.     BIU & God Pussy – Nervos Nervos é uma solução maximalista para a fusão entre o jazz e o harsh noise. Todos os ruídos […]

William Blake, os Provérbios do Inferno e a música

Pode-se dizer que William Blake foi um artista completo: poeta, pintor, ilustrador, místico e revolucionário; viveu os seus setenta anos com ideias e ações bem à frente da sociedade inglesa da primeira metade do século XIX. Defensor do individualismo, da liberdade sexual, de um papel mais relevante para a mulher, sua poesia influenciou poetas de grande importância para o avanço das concepções e técnicas poéticas. Por ter uma série de visões radicais, o poeta foi chamado de louco por décadas, mas engana-se quem acredita que ele teve uma base educacional sólida: Blake jamais foi a escola. Mas isto não gerou qualquer ressentimento contra seus familiares; tanto é, que em Canções da Experiência, ele descreve um jovem estudante que é forçado a ir a escola por seus pais e solta o seguinte desabafo no conto: “A instrução não serve para nada. Considero-a um mal – o maior dos pecados”, firmando assim seu pensamento a […]

Caos, compulsão e barulho: o desagradável split ‘Skullflower / Mastery’

Este é um daqueles splits em que ambos os artistas visam apenas criar o melhor ruído imundo que o mundo já viu, e, como tal, há um público limitado neste campo. Muitas pessoas não estão dispostas a ouvir o que soa como um desastre de trem, mas podemos encontrar a beleza no caos, de alguma forma. Skullflower é um projeto de música experimental liderado por Matthew Bower que já está a trinta anos em atividade, tendo relação com outros importantes nomes deste nicho caótico (entre eles Whitehouse, Coil e Ramleh); buscando sempre criar um lisérgico mundo necro e barulhento que, em contraste com muitos outros projetos industriais, nasceu dos instrumentos mais tradicionais do rock em vez de colagem de sons ou uso de sintetizadores. As três músicas do Skullflower não apresentam passagens rítmicas em particular, mas formam um longo (e esquizoide) tema ambient, com atmosferas semelhantes entre si. Drones de guitarra, sons […]

O selo Dream Catalogue em 2016 e o vaporwave como arte conceitual da pós-internet

Teorizar o que de fato seria o vaporwave, como forma de expressão artística, é um tanto difícil, simplesmente por ser algo da pós-internet e com os seus criadores tendo visões tão díspares sobre a proposta do movimento. Seu ponto-chave é a reciclagem estética e uma nostalgia subjetiva, onde a parte gráfica é tão fundamental quanto a música apresentada. O uso de estilos musicais comerciais (como o pop e o R&B) de maneira sampleada se une aos visuais 8-bit, com imagens de softwares antigos, glitches caóticos e referências a grandes marcas ícones do capitalismo. O (hiper)contexto em que esses elementos são expostos também faz com que o vaporwave seja uma crítica à sociedade consumista, buscando desvirtuar os elementos tradicionais da indústria, citados acima, a fim de gerar um conflito na mente do receptor – como se essa relação aleatória fosse uma overdose imaginária nunca antes sentida. Essa junção de simbologias pode ser vista […]

Cyberpunk, distopia e sintetizadores: o clima retrofuturista do Perturbator

“High tech, Low life”, essa é a principal descrição de um ambiente cyberpunk. As realidades distópicas surgidas nesse subgênero de ficção científica podem ser descritas como lugares controlados por tecnologias da informação, num ambiente de dominação ou destruição da sociedade, além da revolta de seus cidadãos e da degradação do estilo de vida. As sociedades são marginalizadas em sistemas avançados culturalmente, mas o povo é controlado por um governo opressivo, uma religião fundamentalista, um computador ou sistema dominador, ou um conjunto de corporações. Baseando nessa estética, surge nos anos 2000 o synthwave (ou retrowave); buscando uma ligação entre referências como o filme Blood Runner e as composições de John Carpenter,  Goblin e Tangerine Dream, porém, carregadas de características clichês oitentistas (vocal com reveb, sintetizadores analógicos extremamente nítidos e bateria eletrônica pulsante). Alguns nomes tem já destaque nessa “cena” – tal como Gost e Carpenter Brut -, mas é Perturbator (pseudônimo do francês James Kent) […]

A metamorfose dos lobos: uma playlist para entender a pluralidade musical do Ulver

Ulver é uma palavra em norueguês que significa “lobo”. E esse nome soa bastante apropriado, pois, assim como o mamífero, a banda sempre buscou desafiar-se a abandonar qualquer segurança para seguir por trilhas novas e escuras. Em 1992, o jovem Kristoffer “Garm” Rygg, então com 15 anos, iniciava a banda que rapidamente assumiria posição de destaque entre o então efervescente e vanguardista black metal norueguês. Esse destaque surgiu logo com a demo Vargnatt e o debut Bergtatt, trazendo passagens melódicas acústicas que contrastavam com o som extremo – sendo assim, ao lado do Burzum e seu Hvis lyset tar oss, pioneira no que conheemos hoje como post-black metal. Logo em seguida, seriam lançados o totalmente folk Kveldsjanger e o clássico Nattens Madrigal, propositalmente de baixa qualidade (apesar da banda ter recebido uma boa quantidade de dinheiro após ter assinado um acordo com a Century Media Records). Porém, a primeira mudança drástica ocorreria no ano posterior (1998), após a entrada do […]