Magna Umbra: vocalistas mulheres e uma nova geração

A banda Catarinense MAGNA UMBRA fez sua estreia no Metal underground nacional propondo seu próprio estilo musical. A banda que mistura Metal com Música Erudita, marca acentuada pela técnica da vocalista e cantora lírica Siddharta Gabriella, mais as influências do Rock Clássico e da Música Brasileira trazidas pelo guitarrista Renan D’Ávila, supera a estética das bandas referidas ao Metal Sinfônico, tradicionalmente compostas no estilo “a Bela e a fera” (vocais guturais masculinos mais vocais líricos femininos). Em “Someone At Your Door”, álbum de estreia da banda e que deu início as atividades ao vivo junto com o baterista Dyel Kriger, o peso dos instrumentais não atenua ao encontro da voz lírica e feminina de Siddharta, na realidade, MAGNA UMBRA nos convida a uma análise muito interessante quando apresenta logo na primeira faixa do álbum, intitulada “I am My Own God”, uma mulher cantando sobre “ser seu próprio Deus”. “Someone At Your Door” […]

Domingo, dia de sol e arco íris!

Domingo é dia de ocupar a Cidade Antártica! A Associação Arco-Íris Joinville realizará nesse domingo, 30, uma reunião aberta para os novos (e antigos) membros e/ou simpatizantes das causas que vem sendo abordadas ao longo do último ano, desde o retorno das atividades da associação. Os pontos principais de pauta da reunião serão a edição inaugural do seminário Inventando Gêneros, parceria entre a Associação Arco Íris Joinville e o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Comunicação Social do IELUSC, o dia e a semana da Visibilidade Lésbica, e os planos municipal e estadual de educação. A reunião acontece amanhã, domingo, dia 30 de Agosto, às 15 horas, na Cidadela Cultural Antártica. Maiores informações: https://www.facebook.com/arcoirisjoinville Evento da Reunião Aberta da Associação Arco-Íris: https://www.facebook.com/events/534403450047185/ Evento do Seminário Inventando Gêneros: https://www.facebook.com/events/488305314671812/

Azul

Já é tão tarde Mas eu poderia ficar Até que eu pudesse ver o azul   O que há  atrás das estrelas? Bem acima do céu No final do azul   E se eu  fugir? E se não houver  mais nada a dizer? Querid., por favor, me vista de azul   O vazio o qual eu pertenço Quando chegar o momento Apenas peço-lhe para me cobrir com azul   Cássio Fiori    

Homofobia e Empoderamento

Girls Eu vou falar por moi, homem – gay – cisgênero – opressor. Entrei numa loja esotérica que vende aquelas camisetas “indianas”. Lá, fiquei na dúvida entre duas camisetas: uma azul e uma preta. A preta era uma camiseta de modelagem menor, ficava mais justa no meu corpo enquanto na azul minha folga era maior. Como de costume, perguntei pra vendedora o que ela achava. A vendedora respondeu que eu deveria comprar a azul. Não. “Olha, esse tipo de camiseta mais justa (a preta) quem geralmente usa –  e agora quase sussurrando: – são gays. Pra homem fica melhor camisetas mais soltinhas”(a azul). Contra pontuei dizendo que eu sou gay. “Eu sou gay!” Eu sou Gay, viado, boiola, bicha, bichona, baitola, fruta, marica, biba, xibungo… (incremente a lista nos comentários). Ser gay é ofensivo? O que é homem? O que é gay? Gay se parece com quê? É estranho pensar que em […]

Pra mim escrever…

Oi. Hoje é rápido. Redes sociais são ou não uma extensão virtual dos ambientes sociais reais? Virtualmente, nos aproximamos de diferentes palavras, expressões, assim como também surgem novas expressões a partir da internet. A linguagem virtual até onde eu percebo não é formal, é espontânea e dinâmica. Mas sempre surgem aquelas criaturas superiores que acham que podem corrigir erros gramaticais de outras pessoas. Em debates mesmo, quando não se tem mais o que argumentar (eu leio dessa forma), ataca-se as palavras afim de inferiorizar ou invalidar comentários. Vamos parar de tentar humilhar os coleguinhas virtuais? O importante é entender o que está sendo expressado e dar importância pra mensagem e não pra como ela foi escrita. Ninguém vai pro Facebook querendo fazer simulado pro Enem, fala sério! Sem contar postagens ridículas que recebo via diversas mídias virtuais, idealizadas pra humilhar quem não tem o mesmo grau de instrução que você, senhor mestre doutor. Agora […]

Diversidade

O apartamento novo ainda não possui móveis, nem cores. Coloquei o restinho de rom no cantil e guardei a garrafa, em vez de jogá-la fora. O teclado é como a quarta pessoa, mas já intocável e quieto, e nós deitados no piso gelado discutindo se as paredes são verdes ou amarelas; pra mim continuam sendo brancas; meu namorado perguntou: mas não são beges? Eles cantavam Belchior, meus lábios afrouxavam num riso e neles os olhos se enchiam d’água. A minha mente já não enxergava nada, as paredes poderiam ser multifacetadas mas eu só seria um estranho ali, como uma variação desorientada naquela escuridão que vem tomando tudo lá fora. Mas não há quem possa me silenciar por dentro e me tratar como uma anomalia por isso, não há quem me faça acreditar nessa binaridade do azul e do rosa; e não há prece ou mantra que me traga paz enquanto meus filhos […]

Mortas

Fui o primeiro a levantar, mijei, escovei os dentes e lavei o rosto. Pus o celular pra carregar, fui pro quintal, sentei numa banqueta, observei frutas amarelas espalhadas pelo chão, as quais não sabia identificar. A não ser pela goiaba, já apodrecendo com centenas de mosquitos devorando-a. Cheguei mais perto, primeiramente, os mosquitos reagiram a voaram, após alguns minutos foram se acostumando com minha presença e retornavam. Eram muito pequenos e avermelhados, e exploravam aquela fratura exposta com precisão. Mais adiante, flagrei outra goiaba, com uma população de mosquitos ainda maior. Pensei sobre a razão desse acontecimento: seria a outra goiaba mais doce? Haveria um melhor rendimento da sua carne? Bem, ela não parecia mais apetitosa que a outra goiaba, na verdade. Estavam as duas ali, mortas. Deveriam ter despencado não há muito tempo, negligenciadas e deixadas a mercê daqueles insetos malevolentes. Eram como urubus quando encontram carne fresca, aqueles cadáveres em […]

Divã

Sempre gostei muito de cantar, desde bem pequeno pelo o que me lembro. Escrevendo, a música não deixa de ocupar meu tempo, gosto de cantar enquanto escrevo, e às vezes só coloco os fones e sento, esperando as palavras me ocuparem. Porque ser escritor também é saber lidar com a ausência e o silêncio; a ausência das palavras, quando há resistência quanto a seus postos de trabalho e rebelião nas minhas costas; ficar horas na frente do computador da dor nas costas –  mas eu me recuso a recuar. E o silêncio do esquecimento. Esqueço da razão por qual escrevo, esqueço de mim mesmo porque no cansaço eu já não me interesso em ser coeso. E nesses meus altos e baixos, não tenho sido nada muito além de chato pra caralho. Gostaria de escrever mais, cantar mais alto, escrever mais, cantar sem medo, é estranho sentir medo do desejo e não acredito […]

Amor

Amor para A.L.C. Quando tu vagas pelas marginais mistura-se como contínua paisagem tornasse-a como miragem O que há além dos muros tão rabiscados e indecifráveis? Mas não, não alarme-se desarme-se e abrace-me Seria movimento anti-arte nossas essências grafitadas nos mais altos andares. Cássio Fiori

Melancolias e café em excesso

São tantas manifestações. Sobre minhas dramáticas aspirações, só tenho a dizer que não são individualmente minhas. Às vezes me sinto tão ileso de tudo o que há em minha volta e há quando tropeço em meus próprios dedos e caio sobre capôs de carros e ódio turbulento, não de todos, mas de tudo o que faz com que mulheres não sejam homens, homens não sejam mulheres e vira-latas não sejam gente, nem os que andam de pé como a gente. Meus olhos são castanhos no espelho do banheiro, mas lá fora no sol há alguém que dirá que são verdes, então tenho pensado sobre quem são esses todos que habitam aqui dentro. Dai a necessidade que nasce em confronto a universalidade de talentos e defeitos de todos, de todos nós que vivemos dentro de si mesmo. Naquela quinta-feira, traguei duas ou três vezes seguidas até engasgar; tentei oprimir a fumaça com os dedos, me […]

Longe, bem longe

Estive conversando com um amigo sobre viajar. Há algum tempo atrás o convidei para que viesse até Blumenau passear comigo e me lembro dele ter me contado sobre seu medo de viajar sozinho; pra variar: brigamos. Minha arrogância impedia que a empatia ocupasse seu lugar. Eu não compreendia como é que alguém não poderia seguir até a estação, embarcar e desembarcar! Brigamos outras vezes mais e até ficamos um longo tempo sem prosear. Dado o retorno das prosas, agora não brigávamos mais, talvez porque os dezoito anos realmente ficaram para trás, talvez porque depois de tanto tempo nessa linha tênue que se estende entre amar e odiar a cidade e suas muralhas, eu tenha aprendido a manter o equilíbrio. Ele ainda sente medo de viajar sozinho, mas me revelou que fez um novo amigo num novo lugar, não só um amigo, mas um amigo colorido e ao que parece, ele decidirá mesmo […]

Manhã, manha, não sei nomear…

Outrora, abri os olhos cansados, na alvorada, permaneci deitado e – que apuro caros! – eu ainda sonhava acordado. O Desanimo e o Entusiasmo continuavam a discutir, eles mantinham-me sempre no alto, quase sempre. O grande problema avante é que ônibus não tardaria a subir – mas e se este estiver atrasado? – resolvi ficar um pouquinho mais. Mas a Manhã, silenciosa, entrou sem bater na porta e empurrou-me para fora da cama, abriu as cortinas e mesmo que nem o sol ainda tivesse levantado, alertara-me sobre minha necessidade em partir. “Cara amiga, gostaria de retornar no tempo, reiniciar o disco! Traga-me minhas expectativas de volta, alegra minha partida, mas não agora.” Mas era chegada a hora. Aquela senhora muito embora rigorosa – amável – consolava-me: não deverias ter motivos para preocupar-te ,criança, muito em breve poderás retornar, assim como também encontrar-te-ia. Não quis tomar café, não sentia fome, por insistência comi […]

Os muros da cidade

  Se você parar pra enxergar a paisagem das grandes cidades e tentar imaginar o que pode haver por trás dos prédios e muros pichados, perceberá o quanto é difícil desvendar essas fachadas de sentimentos e interpretar tantas abstrações com olhar sóbrio. São gritos que ecoam pelo silêncio da individualidade, paralelo ao mundo real, porque você não os realmente ouve, apenas sente se vê, quando vê. Durante o dia, enquanto chocam-se os pés contra o chão – apressados -, os olhos tão cansados, as pessoas não mastigam direito, elas costumam engolir tudo inteiro, sem reclamar. Há cacos de vidro no topo dos muros também. Aos mais sofisticados, estendem-se fios alinhados de eletrificação. Às guiadas pelo coração entende-se que não há motivação para corpos de articulações celulares e revolução; então rebela-se contra a “razão”. Essa razão maquinaria que constrói muros cada vez mais altos e sangra as mãos daquelas que arriscam pular pro […]