Reflexões sobre a Obsolescência Programada

Em um mundo cada vez mais condicionado pelo consumo como um gerador de sociabilidade, as questões ambientais têm servido de alerta ao longo das últimas décadas. A política econômica visando possíveis ações para o meio ambiente ainda não é um objeto de interesse global, apesar de estar em crescente debate. Uma coisa é certa, não é mais possível continuar no ritmo acelerado de extração de recursos naturais ou da emissão de poluentes. No entanto, como debater socialmente a redução do consumo em uma sociedade em que consumir é um fator de inserção social? O filme espanhol Comprar, Descartar, Comprar: Obsolescência Programada, de Cosima Dannoritzer, talvez seja um dos mais significativos no que se refere a historicização do design como ferramenta para incentivar o consumo de uma determinada comunidade. A obsolescência programada é conhecida como um fenômeno mercadológico e industrial que surgiu por volta dos anos de 1940, incentivando a descartalização, ou seja, o […]

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Hestórias #7 – Algo Não Cheira Bem no Senado

Fala, galerinha! Tudo certinho com vocês? Já adianto que, infelizmente, não terá nada do Aécin nesta postagem. Então, por que coloquei esse título e essa foto? Porque eu achei “mó” legal! 🙂 Sem mais falação, vamos lá!   #BolsoMico Ontem, no debate de candidatos (nem todos) a Prefeito do Rio de Janeiro, realizado pela Bandeirantes, o filho de Jair Bolsonaro, Flavio Bolsonaro, acabou sendo a peça de uma situação inusitada: após pergunta vinda de um telespectador, ele pediu que a pergunta fosse repetida, pois não tinha entendido. Nesse instante, o “olhinho” direito começou a fechar, quase como se estivesse piscando para uma “gatinha”. Em seguida, deu uma “sambada”, o que no momento me estranhou, pois não havia nenhum som. Imaginei, então, que Flavio estivesse com um Discman ou um Mp3 Player, da Lenoxx, no bolso, ouvindo Raça Negra, mais precisamente a música “Cheia de Manias”. Ao fim, descobri que ele tinha passado mal. Um […]

Holofotes sobre a escuridão – O processo de apropriação do “Heavy Metal” como manifestação artística em Joinville

Por Marcus Carvalheiro Peço licença ao Giovanni, que geralmente escreve para a coluna Trajeto Alternativo, para apresentar aos leitores do Metranca e aos colegas do rock a minha proposta de pesquisa para o Metrado de Patrimônio Cultural e Sociedade. Pretendo nos próximos meses compreender melhor esta manifestação cultural que é o metal, tendo como foco as bandas, os produtores e os diferentes públicos presentes em Joinville. Esse post tem a intenção de ampliar meu leque de entrevistas e passos iniciais. Apesar de já ter alguns objetivos traçados, é sempre bom contar diretamente com quem entende ou também vive o cenário. A parte inicial da pesquisa é basicamente um levantamento, então quem tiver nomes de pessoas que foram bem ativas neste cenário por volta dos anos 80/90, bem como puder indicar bandas que iniciaram este lance da “música pesada” em Joinville, eu serei muito grato.   Outra etapa bem importante é o resgate […]

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As Olimpíadas acabaram, mas o esporte não

Depois de um “recesso olímpico”, aqui estou para um breve apanhado do que rolou nas Olimpíadas e fora dela nos últimos dias do mundo esportivo. Não nos menosprezemos! Com essa frase, iniciei uma publicação nas redes sociais pouco antes do cerimonial de encerramento das Olimpíadas Rio-2016. Isso porque a delegação olímpica brasileira conseguiu sua melhor colocação na história da competição, mas muitos só lembram que demorou para sair a primeira medalha e que nós não temos um Bolt, um Phelps ou uma Biles, mesmo que tenhamos um Thiago Braz, que apesar de tudo, continua mais conhecido como “o cara da vara”; Isso porque muitos dizem preferir Marta à Neymar, mas só lembram que futebol feminino existe a cada quatro anos; Isso porque o mesmo ocorre com vários outros esportes, que passam três anos no limbo, mas em época de Olimpíadas muitos não entendem como é que Estados Unidos, Grã-Bretanha e China podem […]

Infrasound Fuzztival – Stoner Rock dando as caras novamente em Florianópolis!

HÁ POUCO MAIS DE DOIS MESES, DOIS FESTIVAIS DE STONER ROCK ( O ROCK CHAPADO, LISÉRGICO E PESADO QUE NADA MAIS É QUE UMA FORMA DE RELEITURA MAIS CONTEMPORÂNEA DO HARD ROCK SETENTISTA, DA PSICODELIA E DO BLUES DOS ANOS 60 E 70) ACONTECIAM EM SANTA CATARINA: O MEGALODOOM FUZZTIVAL JUNTAVA TRÊS BANDAS EM BRUSQUE, E O MEDUSA STONER FEST JUNTAVA QUATRO EM FLORIANÓPOLIS. COMO TESTEMUNHA OCULAR DE AMBOS, POSSO PRESTAR A INFORMAÇÃO DE QUE AMBOS FORAM EXCELENTES E REALIZARAM UM PRÉSTIMO HONROSO AO ROCK PESADO AUTORAL DE QUALIDADE. Pois bem, passaram-se dois meses. E muito em breve, no dia 6 de Setembro, mais uma vez o fuzz, a psicodelia, as distorções e o peso farão uma comunhão em Florianópolis, mas dessa vez no seminal Taliesyn Rock Bar ao invés do palco passado, o Célula Showcase. E se antes tinhamos um (já farto) cast de quatro bandas (Hammerhead Blues / Red Mess / Space […]

Banda CARBONIGHT

Olá, escrevo para apresentar  a banda CARBONIGHT. Trazendo seu primeiro single, A MARCA, que faz parte da sua primeira Demo a ser lançada no final de julho. https://www.facebook.com/carbonight/

William Blake, os Provérbios do Inferno e a música

Pode-se dizer que William Blake foi um artista completo: poeta, pintor, ilustrador, místico e revolucionário; viveu os seus setenta anos com ideias e ações bem à frente da sociedade inglesa da primeira metade do século XIX. Defensor do individualismo, da liberdade sexual, de um papel mais relevante para a mulher, sua poesia influenciou poetas de grande importância para o avanço das concepções e técnicas poéticas. Por ter uma série de visões radicais, o poeta foi chamado de louco por décadas, mas engana-se quem acredita que ele teve uma base educacional sólida: Blake jamais foi a escola. Mas isto não gerou qualquer ressentimento contra seus familiares; tanto é, que em Canções da Experiência, ele descreve um jovem estudante que é forçado a ir a escola por seus pais e solta o seguinte desabafo no conto: “A instrução não serve para nada. Considero-a um mal – o maior dos pecados”, firmando assim seu pensamento a […]

O que o Pokémon GO representa para o ambiente urbano?

Por Marcus Carvalheiro Joinville terá que se adaptar às novas práticas urbanas a partir deste ano. É notória a adesão de crianças, jovens e adultos ao Pokémon GO, jogo  liberado oficialmente no Brasil há duas semanas. O jogo é baseado na tecnologia de realidade aumentada e ainda não é possível calcular exatamente o seu impacto no mundo dos jogos, muito menos na vida urbana das grandes cidades. Entretanto, já podemos observar alguns reflexos em grandes centros. Em Joinville, por exemplo, parques e praças estão recebendo não só jovens, mas públicos de todas as idades que não frequentavam esses lugares com tanta frequência. Com a nova prática, também surgem novas observações sobre rotas que, de acordo com os próprios entrevistados, eram usadas apenas como caminho para o trabalho ou escola. “Faltam bancos”, “Falta iluminação pública”, “Faltam policiais”, esses são alguns dos relatos de pessoas que talvez antes não atentavam para o centro urbano […]

Caos, compulsão e barulho: o desagradável split ‘Skullflower / Mastery’

Este é um daqueles splits em que ambos os artistas visam apenas criar o melhor ruído imundo que o mundo já viu, e, como tal, há um público limitado neste campo. Muitas pessoas não estão dispostas a ouvir o que soa como um desastre de trem, mas podemos encontrar a beleza no caos, de alguma forma. Skullflower é um projeto de música experimental liderado por Matthew Bower que já está a trinta anos em atividade, tendo relação com outros importantes nomes deste nicho caótico (entre eles Whitehouse, Coil e Ramleh); buscando sempre criar um lisérgico mundo necro e barulhento que, em contraste com muitos outros projetos industriais, nasceu dos instrumentos mais tradicionais do rock em vez de colagem de sons ou uso de sintetizadores. As três músicas do Skullflower não apresentam passagens rítmicas em particular, mas formam um longo (e esquizoide) tema ambient, com atmosferas semelhantes entre si. Drones de guitarra, sons […]

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Hestórias #6 – (In)Feliciano, Circo do Impedimento e em Joinville Matam Leões e Pessoas

Paz e amor no coração de todos! hahahaa!   Fala, galera. Como estão? Tenho andado meio ausente. Por isso, decidi escrever quinzenalmente para a Coluna. Penso que assim será melhor. Esporadicamente, postarei crônicas no intervalo quinzenal. Sem mais enrolação, vamos às Hestórias:   (In)Feliciano O Deputado, que dispensa apresentações, Marco Feliciano, está sendo acusado de ter estuprado uma militante do seu partido, o PSC. Alguém lembra que esse cara e a turma do partido dele levantavam a bandeira de que não havia cultura de estupro? Alguém lembra que eles queriam lançar um projeto de lei para, quimicamente, castrar estupradores? Hahahahaha!! É, Feliciano, o mundo dá voltas. E as vezes, o que cuspimos volta pra gente. Vale enfatizar que ele pode estar sendo vítima de um ataque. Presunção de inocência total. Contudo, cá entre nós, a história leva a crer que tem caroço nesse angu. Em minha opinião, analisando os dois lados, com […]

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Fandoms e o anseio por violência

Ocasionalmente, fandoms acabam por servir como uma janela peculiar para a mente humana e para o status quo social. Não é sem motivo: como um pequeno microcosmo da sociedade, as fanbases refletem muitos dos preconceitos, anseios e desejos da sociedade de onde vem seus integrantes.   Uma das formas nas quais este espelho é particularmente interessante é a relação dos fandoms com a violência – e as maneiras como está é vista como justificável, aceitável ou até louvável para grupos de fãs. O debate quanto ao uso da violência e particularmente da força letal é longo e complexo. O que para alguns é inaceitável, para outros é o correto é justo; onde uns veem um apelo desnecessário à força, outros encontram justiça. O que para alguns é vingança, para outros é retribuição.   Nessa leitura, a intenção autoral se torna irrelevante. Como nota Foucault, o Autor está morto: seus desejos e intenções […]

O selo Dream Catalogue em 2016 e o vaporwave como arte conceitual da pós-internet

Teorizar o que de fato seria o vaporwave, como forma de expressão artística, é um tanto difícil, simplesmente por ser algo da pós-internet e com os seus criadores tendo visões tão díspares sobre a proposta do movimento. Seu ponto-chave é a reciclagem estética e uma nostalgia subjetiva, onde a parte gráfica é tão fundamental quanto a música apresentada. O uso de estilos musicais comerciais (como o pop e o R&B) de maneira sampleada se une aos visuais 8-bit, com imagens de softwares antigos, glitches caóticos e referências a grandes marcas ícones do capitalismo. O (hiper)contexto em que esses elementos são expostos também faz com que o vaporwave seja uma crítica à sociedade consumista, buscando desvirtuar os elementos tradicionais da indústria, citados acima, a fim de gerar um conflito na mente do receptor – como se essa relação aleatória fosse uma overdose imaginária nunca antes sentida. Essa junção de simbologias pode ser vista […]

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Sonhar é de graça (e o Maradona também)

Olá, caros leitores! Nesta semana em que se iniciam as Olimpíadas Rio-2016 (antes mesmo do cerimonial de abertura), estou aqui novamente para comentar o que foi notícia no esporte nos últimos dias: Edgardo Bauza é o novo técnico da seleção Argentina. O anúncio foi feito pelo São Paulo, clube que Bauza treinava desde Janeiro. O curioso é que no ano passado, o tricolor paulista já havia perdido o então treinador, Juan Carlos Osorio, para a seleção mexicana. Do jeito que a coisa anda, se o Lisca Doido assumir o São Paulo, ele recebe convite para treinar a seleção brasileira… Maradona já havia se oferecido. Em entrevista na semana passada, ele disse que aceitaria dirigir a seleção argentina até de graça. Bom, que seria de graça, todos nós já sabemos, afinal, depois do seu desempenho comandando os hermanos na Copa de 2010, jamais pagariam para que ele voltasse mesmo… (naquele ano, a Argentina foi […]

Cyberpunk, distopia e sintetizadores: o clima retrofuturista do Perturbator

“High tech, Low life”, essa é a principal descrição de um ambiente cyberpunk. As realidades distópicas surgidas nesse subgênero de ficção científica podem ser descritas como lugares controlados por tecnologias da informação, num ambiente de dominação ou destruição da sociedade, além da revolta de seus cidadãos e da degradação do estilo de vida. As sociedades são marginalizadas em sistemas avançados culturalmente, mas o povo é controlado por um governo opressivo, uma religião fundamentalista, um computador ou sistema dominador, ou um conjunto de corporações. Baseando nessa estética, surge nos anos 2000 o synthwave (ou retrowave); buscando uma ligação entre referências como o filme Blood Runner e as composições de John Carpenter,  Goblin e Tangerine Dream, porém, carregadas de características clichês oitentistas (vocal com reveb, sintetizadores analógicos extremamente nítidos e bateria eletrônica pulsante). Alguns nomes tem já destaque nessa “cena” – tal como Gost e Carpenter Brut -, mas é Perturbator (pseudônimo do francês James Kent) […]