Ei, headbanger, abra a sua cabeça!

Faz tempo que queria escrever algo sobre o isso, não por vontade de teorizar o tema, mas só para deixar registrado um pouco do papo de bar que tenho com alguns colegas do cenário. Como muitos já sabem, o Coletivo Metranca surgiu do metal, sendo o termo Metranca uma referência ao Blast Beat. Bom, não me considero músico, muito menos especialista, mas tenho algumas experiências neste cenário que acho válido compartilhar, de forma bem didática mesmo. Sempre gostei de ouvir coisas diferentes, sou eclético, mas o metal sempre me chamou mais atenção. Talvez pelo lance da intensidade, da raiva e outras coisas que nos fazem chegar mais perto de “extremos”. Entretanto, nunca deixei de ouvir coisas novas ou frequentar outros ambientes. Posso transitar de uma festa funk para um show de splatter sem problema, apesar de ter minhas preferências, claro. No entanto, vejo que o próprio público do metal não aprendeu a […]

Todxs, todos, todas – Questões de gênero na linguagem

Tenho visto por aí, o uso cada vez mais frequente de uma forma de comunicação que suprime ou tenta não definir os gêneros. Algo como “Todxs xs interessadxs” e isso tem me chamado a atenção. Nunca tinha parado para pensar sobre esse fenômeno, mas recentemente o debate sobre gêneros veio à tona por outras vias e quero tecer meu ponto de vista sobre este assunto em específico. Antes de continuar a ler, recomendo a quem não esteja familiarizado com a discussão que leia meu artigo sobre sexualidade, que pode ser esclarecedor neste sentido. Primeiramente é importante deixar claro que a língua é uma entidade viva, mutante, que a todo o momento adquire novas expressões. Não é algo que está pronto e terminado ou algo que é estático. Nós estamos frequentemente criando linguagem, colocando em uso novos verbetes, utilizando-a para expressar nossos pensamentos. A língua é uma ferramenta ao pensamento, pois sem as palavras […]

Colunas

Desconstruindo preconceitos: a vida de Joyce Brown

Há um bocado de tempo atrás eu falei de um webcomic chamado Dumbing of Age e como este abordava o velho e conhecido problema de vigilantes mascarados. Sua única saída do realismo, por sinal. Hoje, quero retomar o excelente título de David Willis para abordar uma das mais complexas, e controversas, figuras da tira, Joyce Brown. Discutivelmente, a protagonista de Dumbing of Age. Se Amber O’Malley era um exercício de pura ficção na desconstrução do “vigilante”, Joyce é um exercício autobiográfico. Da mesma maneira que ocorreu com seu autor, a jovem chega a universidade totalmente desprovida de conhecimentos “do mundo”. A filha caçula de uma família extremamente religiosa, Joyce foi educada em casa. Seu objetivo na universidade, a princípio, é “encontrar um bom marido cristão”. Embora se veja como uma boa pessoa, o mundo real, longe dos confortos e da doutrinação caseira, rapidamente escancara os preconceitos que ela não imaginava ter. Muitos […]

Pra mim escrever…

Oi. Hoje é rápido. Redes sociais são ou não uma extensão virtual dos ambientes sociais reais? Virtualmente, nos aproximamos de diferentes palavras, expressões, assim como também surgem novas expressões a partir da internet. A linguagem virtual até onde eu percebo não é formal, é espontânea e dinâmica. Mas sempre surgem aquelas criaturas superiores que acham que podem corrigir erros gramaticais de outras pessoas. Em debates mesmo, quando não se tem mais o que argumentar (eu leio dessa forma), ataca-se as palavras afim de inferiorizar ou invalidar comentários. Vamos parar de tentar humilhar os coleguinhas virtuais? O importante é entender o que está sendo expressado e dar importância pra mensagem e não pra como ela foi escrita. Ninguém vai pro Facebook querendo fazer simulado pro Enem, fala sério! Sem contar postagens ridículas que recebo via diversas mídias virtuais, idealizadas pra humilhar quem não tem o mesmo grau de instrução que você, senhor mestre doutor. Agora […]

Guitarrista de Joinville participa de concurso internacional

O jovem guitarrista Guilherme Santana, de 23 anos, é joinvilense e está participando do The Guitar Solo Contest 2015, um evento elaborado pela JamTracksCentral, empresa que possui um canal no Youtube (referência para os profissionais do ramo), produz conteúdos como exercícios para guitarra e também vende produções multimídias como vídeo-aulas. O concurso tem duas fases, sendo a primeira composta por uma avaliação do júri popular (internet) que determina os artista mais votados. Em um segundo momento, os escolhidos pelo público são avaliados por uma banda julgadora experiente, como guitarristas como o Kiko Loureiro (Angra). Para votar no Guilherme Santana, basta acessar o site: https://jamtrackcentral.com/jtcguitarsolocontest2015/entry/1139/ e clicar em “Rate”. Guilherme Santana começou a tocar guitarra aos 14, tendo uma pegada muito autodidata. Hoje, o instrumentista faz parte da banda HiSe e também é professor de guitarra. Guilherme já fez parte do quadro de professores da Academia de Guitarra e Tecnologia (AGT) de Joinville […]

Calado

Não há espaço ou paisagem que mereça parada É destempero Não me orgulho desse dissabor É cansaço que tenho Dessa parte cálida Agora silêncio Casa desarmada Depósito sem propósito Excedente de vazio, desapego Minhas entranhas dispersas, acima desse vazio vagueiam culpa e solidão Espero que amanhã haja vento Que dissipe tudo isso E não me traga ilusão

A cultura em Joinville: Uma questão de orçamento?

Depois de ler a entrevista que o presidente da Fundação Cultural e vice-prefeito, Rodrigo Coelho, concedeu ao ANotícia, pude pensar em algumas questões sobre a problemática cultural da cidade. Quero compartilha-las aqui de modo a provocar algumas reflexões nas pessoas envolvidas na produção e na gestão cultural do município Em minha leitura, o que mais me chamou a atenção é o fato de que não foi uma entrevista sobre a cultura, mas sim sobre gestão de recursos financeiros da FCJ. Sinceramente, minha expectativa ao lê-la foi totalmente frustrada, pois se falou muito sobre quanto e onde será investido, mas em pouquíssimos momentos o porque é importante o investimento. Não culpo o Rodrigo por isso, acho que a entrevista foi conduzida de forma a dar pouco ou nenhum espaço para se falar desta temática. Porém, não sejamos ingênuos, há uma intencionalidade evidente. Não é atoa que justamente agora, em meio ao debate sobre o futuro da gestão […]

Colunas

Quando censuram a inclusão, uma breve introdução.

Como todos puderam bem ver, semana passada estourou uma polêmica tola por causa do beijo entre Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg no primeiro capítulo de “Babilônia”. A demonstração de afeto entre as personagens das duas causou tamanha revolta, que a ala mais conservadora do congresso emitiu numerosas notas de repúdio ao folhetim global, além de vários cidadãos irados com tal “absurdo” se expressando online. Mas bem, não foi só a Globo que provocou a ira dos conservadores neste mês de março. Além das fronteiras brasileiras, outros canais  já atrairam a raiva de quem jura de pé junto que não é homofóbico (mas vê em relações homoafetivas “uma agressão”, como falou o ex-presidenciável Levy Fidelix). Da mesma maneira que aconteceu com Babilônia, certas pessoas decidiram que, se elas não gostavam do conteúdo de um certo programa, então esse programa teria que cair. E que programas são esses? O que isso tem a ver […]

Luta, criminalização e a realidade que a SDR tenta esconder

Quem acompanha as publicações do Metranca já deve ter lido algo sobre os desdobramentos do mural pintado na escola Escola de Educação Básica Professor João Martins Veras. No entanto, os problemas políticos que rondam a escola vão muito além da caixa d’água pintada. Ao iniciar o ano letivo, os estudantes e profissionais da escola receberam a informação que deveriam “se adaptar” aos problemas estruturais do local, problemas como falta de ar condicionado, canetões e energia elétrica. Sim, energia. Obviamente, o movimento sindical representado na escola pela assistente de educação Viviane Souza Miranda decidiu em assembleia com pais, alunos e professores pelo adiamento do início do ano letivo. Entretanto, em virtude das manifestações, Viviane agora sofre um processo administrativo e corre o risco de ser exonerada. O caso tomou grandes proporções e a campanha Protesto Não é Crime abraçou a causa junto com outros movimentos sociais e entidades. Para debater a situação e […]

Grafitti, uma das expressões do Rap em Joinville

O Rap em Joinville

Durante a escrita dos artigos sobre a cena musical da cidade (parte 1 e parte 2), senti falta da presença do rap. Sempre soube que a cena devia ser muito forte, pois é extraordinária a produção de grafites na cidade, logo, imaginei que talvez essa galera estivesse por ai em algum lugar. Não só me surpreendi com o que encontrei, como achei uma cena bem mais coesa e articulada do que esperava. Confiram um pouco do que encontrei durante essa empreitada pelo rap em Joinville: Quinta Dose Essa rapaziada da zona leste faz um rap de altíssima qualidade, me impressiona muito a profundidade das letras, densas, com rimas e sacadas muito boas. Confesso que não consigo parar de ouvir. Não se enganem,  Darlan, Jadiel, Jonathan, Patrick, Rodrigo, Thiago e André, fazem poesia e ritmo de fazer inveja a qualquer um. Hailom Bruno Gostei muito do trabalho desse cara, principalmente o uso do sample […]

A Arte da Rotulação

Ao longo da vida sempre recebi muitos rótulos, e, até certo tempo atrás, ainda me deixava ser afetado por isso fortemente. Não compreendia exatamente qual o significado disto, desta necessidade de definir que as pessoas tinham para com a minha existência. Muitas vezes tomei esses rótulos para mim, como se fossem elaborações e conclusões minhas, produtos de um processo de vida singular, sem me dar conta que eles não me pertenciam. Só comecei a questioná-los quando notei a crescente rotulação de conceitos antagônicos que me cercavam. Daí em diante, a rotulação caiu em contradição, já não havia mais como vê-la com um norte a  ser seguido. Assim mesmo, continuei a me questionar: Do que se trata essa necessidade de rotular? Não cheguei a uma resposta definitiva, mas imaginei uma alegoria para tentar solucionar essa questão, um mercado. Os rótulos vendem os produtos e agregam um valor. Não seria isso que fazemos socialmente? Rotulamos, definimos quais […]

Capa - Democratização da Mídia
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Democratização da Mídia – NÃO ENTRE EM PÂNICO #27

Algumas reflexões sobre a Democratização da Mídia Pensando sobre nosso país, acho um tanto quanto curioso o fato de que, depois de 30 anos do final da ditadura, ainda não tenhamos a noção de que o acesso aos meios de comunicação é um direito e não um produto. Se pensarmos bem, os militares, na época da ditadura tinham essa noção muito bem esclarecida, uma vez que estabeleceram a censura como uma das principais formas de regulação social. Nenhuma novidade até ai, já que esse modus operandi é bastante comum a qualquer regime ditatorial. Contudo, o que me inquieta é como essa noção foi perdida ao longo das décadas que se sucederam, ao ponto que hoje, a discussão sobre a Democratização da Mídia tenha ganhado uma aura nefasta que remete a ideia de o estado quer manipular aquilo que se veicula no país. Primeiramente é interessante lembrar que o estado já regula uma série de […]

Perú e a aventura Machu Picchu

A palavra “esporte” sempre me traz lembranças pouco agradáveis, quem me conhece sabe o quão distante estou de ser uma esportista. Já entrei em acordo com o sedentarismos e vivemos bem. Sempre tive medo que uma bola viesse direto para meu rosto quebrando meu nariz, também tenho medo de altura. Ironicamente mesmo não praticando muitos esportes, quebrei meu braço, meu dedo (quando tentei praticar judô), rompi ligamentos do joelho, enfim, o melhor foi esquecer a pseudo vida de esportista. Atualmente tenho que lidar com esses medos durante minha viagem, o medo virou desafio. Tudo começou em Pucón (Chile – http://coletivometranca.com.br/uma-visita-a-pucon-chile/) quando fui esquiar. OK, não exatamente esquiar, uma tentativa, não bem sucedida, mas tentei. Penso que foi ótimo, abandonar a situação de conforto. É muito mais fácil me conformar com o fato de que sou um fracasso para esportes e não tentar fazer nada. Durante minha estadia no Perú não seria diferente, […]